The King of Limbs: Muito barulho por nada

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por Cassiano Rodka

Dando uma driblada na pirataria, o Radiohead anunciou que lançaria seu novo álbum de uma hora para outra. Na véspera do lançamento, outra surpresa: decidiram iniciar a compra do disco em mp3 um dia antes. Moral da história: evitaram completamente qualquer leak do novo CD, o que é atualmente uma grande façanha.

“The King of Limbs” parece ter sido gravado no mesmo clima de correria que o lançamento. O fato de ter apenas 8 faixas já dá um certo estranhamento, parece mais um EP do que um CD completo. Mas, até aí, eu estava preparado para ser surpreendido pela banda. Fato é que algo parece estar faltando no disco. A seleção de músicas não soa como um conjunto e o sabor de mais do mesmo está lá o tempo inteiro.

A primeira faixa, “Bloom”, é mais uma empreitada eletrônica do Radiohead. Não adiciona nada ao catálogo, vai na mesma linha de “The Gloaming” e “Backdrifts”, e estaria melhor em um disco solo de Thom Yorke. Definitivamente não é um bom começo. A faixa seguinte, “Morning Mr Magpie”, dá uma boa luz à audição, com seu riff de guitarra suingado e insistente. A música tem um quê de Nina Simone, eu imagino perfeitamente uma versão na voz da cantora – o que, aliás, seria uma pérola, não? “Little by Little” é bacaninha, mas sinceramente quem precisa dela? “Feral” é uma instrumental que mais parece lado B de single da era Amnesiac. “Lotus Flower”, o single do disco, é certamente uma das melhores. Ela ficaria muito bem no álbum anterior, “In Rainbows”, pois traz a mesma sonoridade. O clipe, que traz Thom Yorke dançando, gerou diversas versões criadas por fãs (ou nem tão fãs assim) que trocaram a música por outras, incluindo o tema da mulata Globeleza – a melhor!

Depois de “Lotus Flower”, parece que a banda recorda que pode fazer belas canções e as coisas melhoram. “Codex” é uma balada de piano conduzida por Yorke e que deixa claro que essa banda pode viver (e muito) sem camadas e mais camadas de barulhinhos high-tech. Na simplicidade, o Radiohead encontra sua voz mais alta do que nunca. “Give Up the Ghost” começa com sons de pássaros e percussão – é outra faixa que poderia estar no “In Rainbows” – e vai ganhando vida com um violão e muitas vozes de Thom Yorke. “Separator” dá uma animada na calmaria e termina bem o disco com uma batidinha divertida e uma melodia assobiável. Mas um pouco tarde demais para salvá-lo.

Confesso que, durante a audição de “The King of Limbs”, mais de uma vez me peguei lembrando das épocas em que o Radiohead compunha canções sem muita frescura, resultando em uma obra como “The Bends”. Talvez esteja na hora de eles darem uma segurada nos eletronismos e melodias abstratas e simplesmente focarem em criar boas canções.

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