Oscar 2011: O dia seguinte

por Pedro Cunha

E o Kodak Theatre mais uma vez recebeu a cerimônia de entrega do Academy Awards, carinhosamente chamado de “Oscar”. Para quem gosta, a diversão começa cedo, a partir das 19h, quando a transmissão do tapete vermelho começa a mostrar quem errou e quem acertou na escolha dos vestidos. Segundo a minha especialista de moda de plantão (também conhecida como a minha namorada, a Brunna Stock) alguns dos melhores vestidos foram os de Reese Witherspoon, Mila Kunis, Scarlet Johanson e Hilary Swank. Ela adorou também o vestido da Natalie Portman, que destaca a barriguinha de grávida. Já entre as que não foram tão felizes assim, segundo nossa expert, podemos citar Penélope Cruz (parecia uma matrona), Gwyneth Paltrow (com um decote muito estranho), Sunrise Cogney, a esposa de Mark Rufalo, usou uma roupa que ninguém entendeu. Aliás, duvido que ela mesma tenha entendido. Helena Bonham Carter foi usando um figurino de Harry Potter, certamente. As decepções da noite, no quesito moda, foram as sempre elegantes (e lindas) Cate Blanchet e Nicole Kidman. A primeira pegou emprestada uma roupa de Lady Gaga, já a segunda usava na cintura um “paramento litúrgico”, daqueles de padre. Ah, nossa analista convidada achou a Jennifer Lawrence vulgar. Eu não.

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Reese Witherspoon, Mila Kunis, Scarlet Johansson e Hilary Swank: algumas das mais bem vestidas

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Penélope Cruz ganha desconto porque está com um bebê de um mês. Mas Paltrow, Coigney e Bellatrix, quer dizer, Bonhan Carter, deviam pensar melhor para o ano que vem…

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Blanchet pegou emprestado de Gaga. Kidman, do Padre Marcelo

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Portman estava linda e feliz. Jennifer Lawrence estava vulgar? Eu não achei…

Chegando na cerimônia em si, Anne Hathaway e James Franco estrearam na condução da cerimônia. Um tanto nervosos no começo eles foram se soltando (mais ela do que ele) durante a apresentação. Eu a convidaria novamente. Não a ele, enfim. O palco, montado com diferentes camadas de profundidade, foi uma grande bola dentro. Ficou muito legal e deu destaque às homenagens da Academia, que deu o tom da cerimônia escolhendo dois filmes grandiosos para homenagear: “… E o Vento Levou” (Gone With the Wind, Victor Fleming, 1939) e “Titanic” (James Cameron, 1997). Já nesse momento dava para perceber a tendência da premiação e o favoritism, já anunciado, de “O Discurso do Rei” (The Kings Speech, Tom Hooper, 2010). A noite foi de resgates históricos, com as participações inclusive dos dois apresentadores mais clássicos da história do Oscar, Billy Cristal e Bob Hope.

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Franco e Hathaway: tentativa de buscar o público jovem para a cerimônia não deu certo… 

Sobre a cerimônia, ainda: para mim os melhores momentos da festa foram as homenagens aos filmes antigos, a participação de Kirk Douglas e a entrada da orquestra, ao som de Star Wars Theme. As cenas de “… E O Vento Levou” mostram o arrojo de um filme que foi produzido em 1939 e o capricho da produção de Cameron nos lembraram que o cinema pode ser mágico e grandioso. Talvez a Academia estivesse buscando algum tipo de redenção depois de ter, em 2010, premiado “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, 2009) ao invés do grandioso “Avatar” (James Cameron, 2009). Kirk Douglas, o eterno Espártaco, deu show no palco. Antes de anunciar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante ele gracejou com Anne Hathaway e brincou com a ansiedade das indicadas. Além de ter, é claro, lembrado que foi indicado três vezes e nunca levou.

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Kirk Douglas, 94 anos, ataca Melissa Leo. O Filho Michael teve a quem puxar, pelo jeito… 

Entre os discursos, eu gostei do Christian Bale, que fez referência a Dicky Eklund, que foi vivido por ele em “O Vencedor” (The Fighter, David Russell, 2010). Wally Pfister, ganhador do prêmio de melhor fotografia por “A Origem” (Inception, Christopher Nolan, 2010) deu uma alfinetada na Academia. Lembrou que o filme só existia porque teve um excelente trabalho de direção. E ele tem razão: é inexplicável que Nolan não tenha sido ao menos indicado a Melhor Diretor. Colin Firth foi comovente agradecendo à mãe. Melissa Leo está tomando porrada de tudo quanto é lado pelo seu discurso, já que a acusam seu arroubo emocionado de ser fake e também de ter usado, como dizem os americanos, “the F-word”. Muito em função da polêmica pré-Oscar, quando Melissa Leo fez lobby em favor de sua atuação.

Falando sobre a premiação, ela foi pautada pela previsibilidade. Nas oito categorias “principais” tivemos apenas uma surpresa e meia, por assim dizer. “O Discurso do Rei” (Melhor Filme), Colin Firth (Melhor Ator), Natalie Portman (Melhor Atriz), Christian Bale (Melhor Ator Coadjuvante), Melissa Leo (Melhor Atriz Coadjuvante) e Aaron Sorkin (Melhor Roteiro Adaptado por “A Rede Social”) confirmaram premiações que todos já esperavam. A “meia-surpresa” da lista foi Tom Hooper (Melhor Diretor). Havia uma forte tendência desse prêmio acabar nas mãos de David Fincher não só por “A Rede Social” (The Social Network, 2010) mas também pelo conjunto da obra de Fincher. Hooper levou e a Academia manteve a tônica de premiar como Melhor Diretor o diretor do Melhor Filme. Por isso mesmo eu falo em “meia” surpresa. A surpresa inteira foi na categoria Melhor Roteiro Original. Todos achavam que esse seria o prêmio de consolação de Chris Nolan, injustamente (repito) não indicado como Melhor Diretor e autor de um roteiro complexo e elaborado. A vitória de “O Discurso do Rei”, um roteiro bem convencional, essa sim pode ser chamada de surpresa inteira. Note-se um detalhe: tivesse dado a lógica e “A Origem” levado o prêmio de Melhor Roteiro Original e o filme teria levado cinco óscares, contra os três que teria levado “O Discurso do Rei”. E como justificariam que o grande vencedor da noite não teve nem a indicação para Melhor Diretor?

Nas categorias mais técnicas “A Origem” (Inception, Christofer Nolan, 2010) levou seus prêmios, como era esperado. Prêmios justos de Efeitos Especiais, Edição de Som e Mixagem de Som. Foi meio estranho o prêmio de Fotografia, que na minha opinião tinha trabalhos melhores. “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland, 2010), um dos piores trabalhos de Tim Burton, levou duas estatuetas: Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino.

Falando em previsões, elas foram tão previsíveis que até eu fui bem nos chutes: nas 20 categorias que eu me atrevi a chutar, acertei 15. E nas que errei, reconheço, nem deveria ter chutado em duas delas (Filme em Língua Estrangeira e Melhor Documentário em Longa). Só o fiz por questões afetivas, envolvendo “Biutiful” e a torcida por “Lixo Extraordinário”. E diga-se em minha defesa também que Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção são duas das categorias tradicionalmente mais complicadas de prever. Falando em Trilha Sonora, fiquei imaginando o colega Cassiano Rodka quando anunciaram o Oscar (merecido, enfim) para Trent Reznor. “Toy Story 3”, um dos melhores filmes do ano acabou levando Melhor Canção, além do óbvio prêmio de Melhor Longa de Animação.

Bom, sem mais delongas, vamos à lista completa dos vencedores:

Melhor direção de arte
– “Alice no País das Maravilhas”

Melhor fotografia
– “A origem”

Melhor atriz coadjuvante:
– Melissa Leo – “O vencedor”

Melhor curta-metragem de animação
– “The lost thing”, de Shaun Tan, Andrew Ruheman

Melhor longa-metragem de animação:
– “Toy story 3”

Melhor roteiro adaptado
– “A rede social”

Melhor roteiro original
– “O discurso do rei”

Melhor filme de língua estrangeira
– “Em um mundo melhor” (Dinamarca)

Melhor ator coadjuvante
– Christian Bale – “O vencedor”

Melhor trilha sonora original
– “A rede social” – Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor mixagem de som
– “A origem”

Melhor edição de som
– “A origem”

Melhor maquiagem
– “O lobisomem”

Melhor figurino
– “Alice no País das Maravilhas”

Melhor documentário em curta-metragem
“Strangers no more”

Melhor curta-metragem
– “God of love”

Melhor documentário (longa-metragem)
– “Trabalho interno”

Melhores efeitos visuais
– “A origem”

Melhor edição
– “A rede social”

Melhor canção original
– “We belong together”, de “Toy story 3”

Melhor diretor
– Tom Hooper – “O discurso do rei”

Melhor atriz
– Natalie Portman – “Cisne negro”

Melhor ator
– Colin Firth – “O discurso do rei”

Melhor filme
– “O discurso do rei”

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