Tardes da Arábia

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Passei semanas preparando-me para ir com minha família aos Emirados Árabes Unidos, mais especificamente à Abu Dahbi, sua capital. Pesquisei na Internet sobre o país; seus hábitos, costumes, vestimentas, economia. Revirei o Google do avesso para saber se eu poderia usar saias curtas. A recomendação sempre era a de uso de roupas discretas, nada de decotes ou ombros e pernas de fora. Confesso que fiquei bastante apavorada, pois eu teria que enfrentar o quente inverno deles (temperatura média de 27 graus) com saião comprido e ombros tapados! Comprar roupas para minha viagem ao Oriente Médio foi um verdadeiro desafio fashion! Mas o venci, e no dia nove de dezembro de 2010 eu estava embarcando com a mala cheia de roupas que não têm nada a ver comigo, rumo a um país muçulmano, com a família toda.

A escolha de Abu Dahbi foi proposital: fomos acompanhar os jogos do time do coração de meu marido, o Internacional de Porto Alegre, em sua jornada para conquistar o bicampeonato mundial interclubes da FIFA. De antemão já comento o que muitos leitores (os que acompanham futebol) devem saber: o nosso time não levou o título para casa. A decepção foi grande. Mas nós quatro levamos para casa uma experiência inesquecível, que talvez não tivéssemos nunca, não fosse o Inter. Estivemos no Oriente Médio. Uma terra rica em várias sentidos, muitos dos quais nós, ocidentais, não somos capazes de perceber.

Lares de povos acolhedores, discretos e alegres, as cidades árabes de Abu Dahbi e Dubai têm sua população formada, em grande parte, por imigrantes vindos do mundo inteiro. Gente que vai em busca de vidas mais confortáveis. E consegue, pois por lá não sê vê miséria e pedintes nas ruas. Possuem um conjunto de regras peculiares sobre comportamento: afora as roupas específicas para as mulheres nativas, os árabes não podem beber e demonstrar carinhos em público, em razão de sua religião. Tais mandamentos também se aplicam aos turistas, com exceção das roupas da mulheres. Porém, como já mencionei, recomenda-se que as estrangeiras prefiram vestimentas discretas enquanto estiverem nos Emirados Árabes. Mas, ao contrário do que eu havia lido, eles aceitam muito bem todo tipo de roupa, pois presenciei mulheres até com mini-saias e shorts andando faceiras pelas ruas, sem serem importunadas ou advertidas.

As visões mais impressionantes, para mim, foram as das mulheres vestidas de negro da cabeça aos pés, com as chamadas abayas, e a do infinito deserto, a perder de vista. Movimentando-se com vagareza, as mulheres andavam sempre em bandos e falavam bastante. Olhos muito maquiados, bolsas e óculos de grife, sempre. E as tais abayas traziam diferenças nos cortes, modelos e pedrarias. Mesmo parecendo ser iguais, não são. Encontram um jeito de se diferenciar e chamar a atenção dos pretendentes.

Prédios ultra modernos e arquitetonicamente revolucionários são uma das marcas registradas das duas cidades que visitamos. O atual prédio mais alto do mundo está localizado em Dubai, e sua visão é de fato impressionante. O Burj Dubai tem 141 andares e 512 metros de altura.

Abu Dahbi é hoje importante centro econômico e turístico, e a escuderia Ferrari lá construiu recentemente um parque de diversões que agrada a adultos e crianças, que podem dirigir pequenas Ferraris ou brincar de dirigir grandes Ferraris em simuladores. O parque também abriga a maior montanha russa do mundo, que simula a velocidade de uma Ferrari.

Além disso, a parte cultural também não foi esquecida: em breve, serão inauguradas filiais do Museu do Louvre, de Paris e do Museu Guggenheim, de New York.

Praias maravilhosas banhadas pelo Mar Arábico, com águas extremamente calmas e de belíssima cor. Fins de tarde de tirar o fôlego, principalmente em Abu Dahbi, pois no horizonte se destaca com clareza a branquíssima e deslumbrante mesquita Sheik Zayed, a segunda maior do mundo, com capacidade para abrigar até 30.000 pessoas.

Em certos momentos do dia, ao amanhecer e ao entardecer, pode-se ouvir ao longe, de qualquer ponto das cidades, um canto melodioso vindo das mesquitas, uma reza que se propagava com suavidade, algo tão diferente para nós, que nem parecia real. Das arábias.

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