O Discurso do Rei (The King’s Speech, Tom Hooper, 2010)

por Pedro Cunha

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Colin Firth, que se fez grande Rei, com apoio do seu terapeuta de fala, Lionel Logue

Indicado em 12 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Tom Hooper), Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator (Colin Firth), Melhor Ator Coadjuvante (Geoffrey Rush), Melhor Atriz Coadjuvante (Helena Bonham Carter), Melhor Trilha Sonora, Melhor Mixagem de Som

“O Discurso do Rei”, numa primeira análise poderia ser encaixado naquela grande categoria dos filmes de “superação”: histórias (muitas vezes reais) de pessoas com uma grande dificuldade que lutam contra ela e tem no filme, na maioria das vezes, a história do seu sucesso. De “Flashdance” (Adrian Lyne, 1983) até “Preciosa” (Precious, Lee Daniels, 2009), passando por “Uma Mente Brilhante” (A Beautyful Mind, Ron Howard, 2001), esse “pseudogênero” em geral rende boas histórias, apesar da forte tendência de acabar caindo no clichê.

O roteirista David Seidler adaptou a história do irmão menos famoso que tornou-se Rei da Inglaterra. O irmão mais famoso foi seu antecessor, Eduardo VIII, que tornou-se célebre por ter abdicado da coroa britânica para poder casar-se com a mulher que amava, uma americana duas vezes divorciadas. Em geral essa história é contada como o conto de fadas do homem que abriu mão do trono inglês por amor, mas o filme a conta sob o ponto de vista do irmão mais novo que via o irmão como um dândi irresponsável que colocava seus sentimentos e questões pessoais acima das questões de estado. “Bertie”, como era chamado pela família, tinha sérios problemas de insegurança e uma gagueira que o impedia de falar em público, numa época (final dos anos 1930) em que a Inglaterra rumava para uma guerra onde o seu adversário, Adolf Hitler, tinha na eloquência sua principal virtude.

O filme, que não teve um orçamento modesto, fez por merecer todas as indicações mais técnicas que recebeu. A produção é caprichadíssima, os figurinos muito cuidadosos e detalhistas e a fotografia é discretamente perfeita. O ponto forte do filme, no entanto, são as atuações. Em especial, o trabalho de Colin Firth. O eterno “namorado de Bridget Jones” já faz tempo que chama a atenção pelos trabalhos bacanas. O Rei Jorge VI, no entanto, é um papel diferente. E não só pela gagueira, magistralmente construída por Firth. Jorge VI parece, durante todo o filme, que está prestes a explodir, mas se controla. A figura do Duque de York que reluta para tornar-se Rei, imerso na própria insegurança é sustentada por dois sensacionais coadjuvantes. O primeiro deles é o experiente Geoffrey Rush, que interpreta o ator frustrado e terapeuta da fala Lionel Longue, um australiano que afronta e ajuda o Rei na sua busca por conseguir controlar a sua fala. A segunda é a sempre deslumbrante Helena Bonham Carter, como Elizabeth, a esposa do Duque de York. Sempre é bom ver Bonham Carter atuando, e é bom de vez em quando vê-la num papel que não é o de doida varrida. Essas três atuações e o a eficiência técnica conseguem fazer com que “O Discurso do Rei” fuja do clichê dos “filmes de superação” e torne-se um excelente filme. Provavelmente vencerá em várias categorias e é hoje o franco favorito para as duas principais estatuetas, a de Melhor Filme e a de Melhor Diretor, para Tom Hooper.

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Geoffrey Rush, Collin Firth e Helena Bonham Carter: bons atores, bom roteiro e ótimo filme

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