Os Indicados ao Oscar (parte 2)

oscar-2011-parte-1

por Pedro Cunha

Vamos então comentar as categorias mais técnicas. Vale aqui também colocar algumas explicações sobre elas. Muita gente confunde as categorias…

Melhor direção de arte

Alice no País das Maravilhas
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I
A Origem
O Discurso do Rei
Bravura Indômita

A direção de arte é responsável por ambientar uma história. Harmonia entre figurino, cenários, objetos e tudo que pode fazer parte de uma cena. Filmes de época e de fantasia sempre entram forte nessa categoria. O “Alice” de Tim Burton acabou sendo uma grande decepção mas teve uma direção de arte caprichadíssima. “Bravura Indômita” e “O Discurso do Rei”, nas suas ambientações (velho oeste e Inglaterra do século XIX), também estão sendo bastante elogiados (ainda não vi esses dois…). Premiar “Harry Potter”, um belo trabalho de direção de arte, seria uma forma de começar também a premiar a franquia mais rentável dos últimos anos no cinema. E “A Origem”, com todas as suas referências nas obras de M. C. Escher, talvez seja o trabalho mais ousado e original da categoria. Se eu tivesse que escolher, premiaria “A Origem”. Mas ainda quero assistir aos outros dois filmes para ter uma opinião mais definitiva.

 

Melhor fotografia

Cisne Negro
A Origem
O Discurso do Rei
A Rede Social
Bravura Indômita

Fotografia é a categoria que premia o manejo da câmera. Enquadramento, escolha de planos, escolha de lentes, escolha de cores. Fotografia tem uma relação muito grande com a criação de uma atmosfera que favoreça a história que está sendo contada. Nesse sentido “Cisne Negro” vem sendo elogiadíssimo para essas categorias mais artísticas. A fotografia de “A Rede Social”, a cargo de Jeff Cronenweth, é muito boa em função de se tratar de um filme sem grandes efeitos especiais ou grandes cenas externas, que facilitam a criação de uma fotografia mais espetacular. A fotografia de “A Rede Social” é minimalista, discreta e detalhista, mas por isso mesmo trata-se de um ótimo trabalho. O bom trabalho de fotografia de “A Origem” fica um pouco ofuscado porque a fotografia do filme mescla-se e confunde-se com os efeitos visuais dele, tornando difícil fazer o julgamento de onde termina um e começa o outro.

 

Melhor figurino

Alice no País das Maravilhas
I am Love
O Discurso do Rei
The Tempest
Bravura Indômita

Outra categoria onde os filmes de época e fantasia usam e abusam da imaginação. Pode ser o prêmio de consolação para o filme de Burton, já que ele não conseguiu ser indicado em categorias mais importantes.

 

Melhor montagem

Cisne Negro
O Vencedor
O Discurso do Rei
A Rede Social
127 Horas

Raramente um filme é filmado de maneira linear e em ordem. O prêmio de montagem celebra aquele filme que mais harmoniosamente e originalmente “cola” os pedaços para contar a história. Uma boa montagem, na maioria das vezes, passa despercebida. Nesse sentido “A Rede Social” é um filme tecnicamente muito bem feito. A montagem ajuda um filme que não tem nenhuma ação a não tornar-se monótono. David Fincher optou por uma solução não linear, em termos de cronologia, e o resultado foi excelente.

 

Melhor trilha sonora

Alexandre Desplat – O Discurso do Rei
John Powell – Como Treinar o seu Dragão
A.R. Rahman – 127 Horas
Trent Reznor e Atticus Ross – A Rede Social
Hans Zimmer – A Origem

 

Já assisti três dos cinco filmes indicados, e não sei qual a melhor trilha sonora. Trent Reznor, mais conhecido pela sua banda Nine Inch Nails, é parceiro de longa data de Fincher e já fez outras trilhas para o autor (como em “Seven”) e para outros diretores (como em “Assassinos por Natureza”, de Oliver Stone). Sua trilha é orgânica e feita para ambientar a história, harmonizando com ela. Não é só um conjunto de canções jogado em cima de um filme. São sons e músicas que misturam-se com a imagem criando um organismo único. O mesmo pode ser dito, como elogio, para os trabalhos de Powell em “Como Treinar seu Dragão” e de Zimmer em “A Origem”. Mas aqui Zimmer desponta como favorito com o seu próprio currículo pesando em seu favor. Zimmer já venceu o Oscar em 1994, com “O Rei Leão”. E além disso já foi indicado outras sete vezes: “Rain Man” (1988), “Um Anjo em Minha Vida” (1996), “Melhor É Impossível” (1997), “O Príncipe do Egito” (1998), “Além da Linha Vermelha” (1998), “Gladiador” (2000) e “Sherlock Holmes” (2009). O trabalho dele em “A Origem” é sensacional quando percebemos, entre outras coisas, o trabalho de decomposição que ele faz no clássico de Edith Piaf, desacelerando-a e colocando-a na mesma ideia do filme, de tempos diferentes em cada uma das “camadas oníricas” do filme.

 

 

Melhor canção original

Melhor do que dar pitaco é deixar aqui as cinco canções, para que cada um escolha a sua preferida…

“Coming Home” – Country Strong

“I See the Light” – Enrolados

“If I Rise” – 127 Horas

“We Belong Together” – Toy Story 3

 

Melhor Edição de som

A Origem
Toy Story 3
Tron – O Legado
Bravura Indômita
Incontrolável

Edição de Som é a categoria que premia os efeitos sonoros incorporados ao filme depois da filmagem. Tudo aquilo que é criado, tudo aquilo que é inventado em termos sonoros é levado em conta aqui.

 

Melhor Mixagem de som

A Origem
Bravura Indômita
O Discurso do Rei
A Rede Social
Salt

Essa categoria avalia a relação do som com a imagem. A altura do som, sua sincronia com as imagens e sua clareza são os elementos mais importantes em jogo aqui. A grande surpresa foi a indicação da bomba “Salt”, com a Angelina Jolie…

 

Bom, quinta-feira que vem nós finalmente terminamos nossas análises!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s