Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (Harry Potter and The Deathly Hallows – Part 1, David Yates, 2010)

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por Pedro Cunha

O Começo do Fim

Estou escrevendo 10 minutos depois de chegar do cinema, onde assisti a sessão de pré-estreia. Aliás, agradeço ao Shopping Bourbon Country: me inscrevi por e-mail numa promoção deles ontem e hoje fiquei sabendo que tinha ganhado ingresso, pipoca e refrigerante para duas pessoas na sessão das 21h da pré-estreia. Eu tinha me programado para assistir “A Laranja Mecânica” (The Clockwork Orange, Stanley Kubrick, 1971) de graça na Sala Redenção (http://tiny.cc/salaredencao), mas tendo ganhado o ingresso resolvi ir conferir o bruxinho.

David Yates assumiu a franquia Harry Poter no quinto filme da série, “Harry Potter e a Ordem da Fênix” (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007). O diretor até então tinha apenas trabalhos na TV e assumiu uma grande responsabilidade: a franquia, apesar das bilheterias exitosas, era bastante irregular. Os dois primeiros filmes, “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, 2001) e “Harry Potter e a Câmara Secreta” (Harry Potter and The Chamber of Secrets, 2002) foram dirigidos por Chris Columbus e, como seria de se esperar, tinham um ar mais infantil. O terceiro filme, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” (Harry Potter and the Prisioner of Azkaban, 2005) foi durante muito tempo o mais elogiado da série: além de contar com a direção do espanhol Alfonso Cuarón ainda tinha a fantástica estreia de Gary Oldman na franquia no papel de Sirius Black, o padrinho de Harry. O experiente Mike Newell foi responsável por “Harry Potter e o Cálice de Fogo” (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005) e não conseguiu satisfazer os fãs da série (não, eu não consigo usar “saga”…), que queriam a volta de Cuarón para os filmes seguintes.

O primeiro dos trabalhos de Yates com os bruxos, “HP e a Ordem da Fênix”, era um momento em que a trama fazia uma curva bastante aguda, tornando-se mais sombria e adulta. Yates conseguiu dar esse tom ao filme e fez algumas das adaptações necessárias, fazendo o “clamor” por Cuarón diminuir bastante. Seu trabalho seguinte, “Harry Potter e o Príncipe Mestiço” (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009), foi o melhor da série até então. A cena da morte do mentor de Harry, Dumbledore, por mais que tenha sido mudada em relação ao livro, ainda assim ficou extremamente tocante. Yates conseguiu dar a esses filmes o tom mais gótico que eles deveriam ter e quando começou a produção dos últimos filmes quase ninguém além dos mais xiitas reclamava da presença de Yates na condução da franquia.

A divisão da trama do livro em dois filmes foi saudada por mim e por muita gente. Os livros são extremamente densos e muita coisa bem legal se perde pela necessidade de enxugar e transpor para a linguagem cinematográfica a obra literária. Com dois filmes o roteirista Steve Kloves, o mesmo responsável pela adaptação das obras anteriores, pode ser um pouco mais flexível trabalhar mais tranquilamente. A trama começa de onde para o filme anterior e desenrola-se alternando cenas de ação (a melhor, disparado, é o confronto com a serpente Nagini em Godric’s Hollow) e de introspecção focando quase o filme inteiro em apenas três personagens, os protagonistas da obra: Harry Potter (Daniel Radcliffe), Hermione Granger (Emma Watson, a melhor dos três) e Ronny Weasley (Rupert Grint). As relações de amizade dos dois amigos com Potter e a latente paixão entre Ronny e Hermione são excelentemente trabalhadas pelo diretor e pelos atores, que conhecem bem os personagens e os encarnam sem mistério. Se dessa vez temos pouco Alan Rickman, sempre excelente como Severo Snape, e nenhum Gary Oldman; somos brindados com a maior participação, até agora, de Ralph Fiennes como Lord Voldemort, o grande vilão da série. Além é claro da vilã mais odiada da série, Belatrix Lestrange, vivida por Helena Bonham Carter que está sublime (como se em algum filme ela não estivesse, enfim…)

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Não, não é a Amy Winehouse. É Bellatriz Lestrange, aquela que nós adoramos odiar

A produção continua caprichada, como nos últimos filmes. Predominam as cenas noturnas, os tons de cinza, azul-escuro e preto e os tons sombrios. Uma das sequências mais bacanas do filme é feita em animação, em tons de marrom, quando é contada a “História dos Três Irmãos”, a suposta origem das tais relíquias da morte. A trilha sonora de Alexandre Desplat (estreando na franquia) é muito discreta e vai nos tensionando aos poucos, como os próprios personagens. Um ponto positivo do filme é que mesmo quem já conhece a trama fica nervoso em determinados momentos. Eu não tenho certeza, no entanto, se as coisas na trama ficam suficientemente claras para aqueles que não leram o livro. E em determinado momento há uma frase dos personagens que me confunde. Se ele disse o que eu acho que quis dizer então há uma cena que não consegue passar o que deveria. Enfim, só saberei disso em julho do ano que vem, quando “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2” entrar em cartaz dando final a uma das cinesséries mais lucrativas de todos os tempos.

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Harry (Radcliff), Ronny (Grint) e Hermione (Watson): O filme é centrado nos três, que seguram legal.

Se vale a pena? Se você viu os filmes anteriores, com certeza vale. Se leu os livros e é fã da série, não é que valha a pena: é obrigatório.

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