Sir Paul vem aqui!!

por Pedro Cunha

Eu ia chamar esse texto de “Sir Paul Vem Aí”, mas me dei conta que ele vem aqui. Aqui, em Porto Alegre, no meu cantinho do planeta. A “Up and Coming Tour” chega ao Brasil no próximo domingo: no dia 7 o cavaleiro de Sua Majestade se apresenta aqui em Porto Alegre (sim, aqui em Porto Alegre. Se eu escrever umas cem vezes talvez a ficha caia…) e nos dias 21 e 22 em São Paulo. Se você, como eu, não consegue pensar em nada muito diferente disso, o post de hoje é para você.

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Paul no Rio, em 1990: maior público pagante da história, segundo o Guinness. Talvez a roupa mais brega, também.

Paul McCartney é músico, eu sei. Mas tem uma profícua relação com o cinema também. O IMDB registra 21 participações de Macca como ator. É creditado em produções como roteirista (cinco vezes), como diretor (quatro vezes) e como produtor (13 vezes). Mas, é claro, o maior número de citações é de participações em trilhas sonoras. Sabe quantas? Bem mais que isso. São, segundo o IMDB, 340 participações creditadas em trilhas sonoras. Nada mal, hein? Acho que o grande destaque, entre os trabalhos de trilha sonora de Mr. McCartney, é a canção composta em parceria com a então esposa Linda, “Live and Let Die”, para o oitavo filme de James Bond, o primeiro estrelado por Roger Moore: “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (Live and Let Die, Guy Hamilton, 1973). É considerado um dos melhores filmes de James Bond e tem, com certeza, uma das melhores cenas de perseguição, a do bote.

O trailer original de “Live and Let Die” tem uma versão diferente da música (aos 48 segundos…)

Mas além dos já conhecidíssimos trabalhos de Macca como compositor eu queria chamar atenção para suas participações como ator, homenageado e personagem. Por isso escolhi cinco bons filmes sobre, dos e com McCartney e os seus colegas John, George e Ringo. Recoste-se na poltrona, aumente o volume e vamos lá!

5) Across the Universe (Julie Taymor, 2007)

Esse filme é um amorzinho. É o que quase todo mundo diz. E é uma proposta que dificilmente poderia dar errada: um musical com 30 canções dos Beatles, simples assim. A coragem dos produtores foi fazer com que as canções fossem reinterpretadas pelos atores do filme. Algumas versões ficaram muito legais, como a de “With A Little Help From My Friends” por Jim Sturgess. E vamos combinar: coragem regravar essa música, que tem DUAS versões definitivas já (tanto a de Ringo, a original, quanto a de Joe Cocker, imortalizada em Woodstock). Os personagens do filme tem seus nomes retirados de letras dos Beatles: Maxwell, Jude, Sadie, Jo-Jo, Prudence, Dr. Robert (um Bono Vox meio deslocado) e vários outros. O roteiro, de Dick Clement e Ian La Frenais é leve, despretensioso e muitas vezes previsível: passa-se nos anos 60, protesta contra a guerra do Vietnã e celebra a juventude. E quem se importa? O filme diverte, a produção é bem caprichada e as versões são bem boas, em sua maioria. A fotografia constrói bem a atmosfera de época e é quase artística em alguns dos “clipes” do filme, como “I Want You” ou “Strawberry Fields Forever”, uma das preferidas da minha namorada.

O que você fará se eu cantar fora do tom?

Viver é fácil de olhos fechados…

4) Os Reis do Iê Iê Iê (A Hard Days Night, Richard Lester, 1964)

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Esse é o primeiro filme dos Beatles e Lester, que também dirigiria “Help”, no ano seguinte, fez algo muito próximo de um documentário. Apesar do infame título em português o filme é divertido e a sequência de abertura, com as fãs perseguindo o então jovem fab four pelas ruas de Londres, tornou-se uma das mais copiadas da história do cinema. A trilha sonora do filme é maravilhosa, e foi composta por Lennon e McCartney em seus tempos mais férteis: um álbum inteiro escrito em semanas e com canções que se tornariam imortalizadas como “Can’t Buy Me Love”, “All My Loving”, “I Should Have Know Better”, “If I Fell”, “And I Love Her” e “She Loves You”. O filme ajuda a consolidar algumas das lendas da beatlemania, como a de Ringo ser o Beatle “engraçado” e George o Beatle “quieto”.

3) Backbeat – Os Cinco Rapazes de Liverpool (Backbeat, Iain Softley, 1994)

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Este é seguramente, até hoje, o melhor filme sobre os Beatles. A história passa-se toda no início da carreira dos rapazes de Liverpool, mais especificamente na mítica viagem a Hamburgo, na Alemanha, que foi onde a banda começou a acontecer. Alguns episódios hoje um tanto nebulosos estão ali, em especial a presença de Stuart Sutcliffe, um amigo de Lennon que foi, durante um tempo, o quinto Beatle. O suposto envolvimento de Stuart com John é apenas insinuado no filme, já que até hoje ninguém nunca foi categórico quanto a isso. McCartney é retratado como aquele que, ainda jovem, era o mais profissional e focado dos Beatles. O detalhe do filme fica na trilha sonora: em função de questões de copyright não entrou nenhuma música dos Beatles, mas vários covers que são, até hoje, associados ao fab four como “Money”, “Please Mr. Postman” e, é claro, “Twist and Shout”. A banda que deu uma roupagem um pouco mais acelerada e 90´s para as canções, sem mexer muito nelas, foi formada para o filme e batizada de “Backbeat Band”, contando com Dave Pirner, do Soul Asylum, no vocal; Thurston Moore, do Sonic Youth, na guitarra; Mike Mills, do R.E.M., no baixo e Dave Ghrol, ex-Nirvana e futuro Foo Fighters, na bateria, entre outros.

Backbeat reinterpreta “Money”

2) The Magical Mystery Tour (John, Paul, George e Ringo, 1967)

Eu sei que foi um filme feito para a TV. Sei também que muitos consideram o pior dos filmes dos Beatles. Mas eu gosto. E gosto bastante. “The Magical Mistery Tour” foi um projeto quase pessoal de Paul e foi o mais enlouquecido e psicodélico dos filmes dos meninos de Liverpool. Uma banda fictícia (a Bonzo Dog Doo-Dah Band) faz uma excursão pelo interior da Inglaterra num ônibus amarelo. E não, não tente entender. Não há o que entender no filme. É uma colagem de clipes psicodélicos de algumas das melhores músicas dos Beatles. Lá estão, além da faixa-título, “The Fool on the Hill”, “Blue Jay Way”, “Your Mother Sould Know” e a canção-símbolo dessa fase psicodélica: “I Am the Walrus”. A tour do filme é para ser curtida sem preocupações com coerência, roteiro ou história. Roll up for the Mystery Tour!

Eu sou o homem-ovo. Eles são o homem-ovo. EU SOU A MORSA!! (Não entendeu? Não esquenta, ninguém entendeu. Nem eles, acho.)

1) O Submarino Amarelo (Yellow Submarine, George Dunning, 1968)

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Não poderia ser de outro ano. Essa animação é a celebração pura de 1968, o ano do verão do amor e do apogeu do movimento hippie e da contracultura. Plasticamente impecável, o desenho animado de longa metragem coloca os Beatles numa aventura no reino encantado de Pepperland, onde eles devem resgatar a Música e a Alegria. “O Submarino Amarelo” é o retrato de sua época. Alegre, psicodélico e apresentando ainda uma certa inocência, o sonho parecia muito vivo. As cores vivas e os personagens originais fazem com que o desenho soe, ainda hoje, atual. A trilha sonora, além das composições dos Beatles traz uma grata surpresa, que são os maravilhosos temas instrumentais de George Martin. As musicas de Martin casam estupidamente bem com as dos Beatles e mais ainda com o filme. Ele agrada crianças, adolescentes e adultos. A versão remasterizada, lançada faz pouco em DVD, é uma preciosidade. E há boatos de uma nova versão em 2012, usando recursos 3D e dirigido por Robert Zemeckis. Não tenho um bom pressentimento, mas enfim, resta esperar para ver…

Sir Paul se perguntava pelos seus 64… agora ele vem a Porto Alegre com 68!

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