Cuidado! Eles vem aí!!

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por Pedro Cunha

Eles quem? Boa pergunta. Durante muito tempo o cinema foi palco de grandes invasões dos mais diversos animais. De serpentes num avião a aranhas vindas da selva, de vermes assassinos a dobermanns treinados, quase todo tipo de animal já foi usado para aterrorizar as plateias dos cinemas. Talvez o primeiro deles tenha sido o clássico “King Kong” (MC Cooper, 1933), que já foi refilmado algumas vezes. No “Nosferatu” (F. W. Murnau, 1922) há uma cena fantástica com ratos. Animais já incomodaram no cinema muitas vezes e em tempos de “Piranha 3D” (Alexandre Aja, 2010) no cinema acho que vale a pena relembrarmos alguns dos principais sustos que nos foram pregados por animais selvagens no cinema…

Trailer de “Tubarão”, o pai de todos

Impossível não começar com o filme que definiu o gênero: “Tubarão” (Jaws, 1975) não só marcou um caminho que seria repetido até tornar-se clichê como também foi o primeiro grande sucesso de bilheteria de Steven Spielberg. O filme custou U$ 12 milhões e rendeu estrondosos U$ 470 milhões, permitindo que Spielberg fizesse, dali por diante, o que bem lhe entendesse. O filme tem uma narrativa tensa e o monstro, uma das estrelas do filme, só se revela muito no final. Isso e a histórica trilha sonora de John Williams fizeram com que o filme se tornasse um clássico, com mil e uma sequências (malsucedidas) e adaptações. A cena final, da explosão do tubarão, já foi alvo até dos mithbusters.

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O modelo mecânico “Bruce”, utilizado em “Tubarão”, batizou o tubarão vegetariano de “Procurando Nemo” (Finding Nemo, 2003)

Ficando ainda na água, “Piranha” (Joe Dante, 1978) é quase insólito de tão engraçado. E devidamente trash, como atesta o Selo Trash de Qualidade (também conhecido como produção executiva de Roger Corman, o imperador do trash). Se “Piranha” já é trash por natureza “Piranhas 2: Assassinas Voadoras” (Piranha Part Two: The Spawning) é sublime de tão trash. E, surpresa: dirigido por James “Avatar” Cameron! Foi o segundo longa produzido pelo diretor e muito pouco é necessário dizer sobre ele. São piranhas. Elas voam. Ponto. Diversão garantida!

Trailer de “Piranha”, de 1978

Um outro plot clássico é aquele que faz uma reflexão sobre como o descuido e o desleixo humano em relação à natureza podem acabar fazendo com que ela queira reagir. É o caso de “Alligator” (Lewis Teague, 1980) ou de “O Ataque das Formigas Gigantes” (The Empire of the Ants, Bert Gordon, 1977). Ambos os filmes foram, durante muitos anos, clássicos da Sessão das Dez, no SBT. “O Ataque das Formigas Gigantes”, aliás, segue um roteiro de H. G. Wells que deu origem a inúmeros outros filmes (inclusive a todos Tartarugas Ninjas…): pequenos animais expostos a substâncias radioativas crescem e tornam-se inteligentes, ameaçando os seres humanos. Mania que essa gente tinha de confundir radioatividade com fermento…

O Ataques das Formigas Gigantes. Pois é.

Ainda na linha “Sessão das Dez”, nos anos 80, dois telefilmes americanos costumavam atormentar nossas noites de domingo. “A Gangue dos Dobermanns” (The Dobermann Gang, Byron Chudnow, 1972) e a sua sequência, “A Volta da Gangue dos Dobermanns” (The Daring Dobermanns, Byron Chudnow) me fizeram ter muito, mas muito medo dessa raça de cães. Assim como um filme também me fez ter muito medo de um animal que, sei hoje, é extremamente dócil: “Orca, a Baleia Assassina” (Orca, Michael Anderson, 1977) é um filme de dar medo. A curiosidade do filme é a trilha sonora de Ennio Morricone. Um detalhe interessante. O filme é de 77 e visivelmente vai na trilha do “Tubarão” de Spielberg. Numa das cenas que mostram a selvageria das orcas os cetáceos atacam e dilaceram um tubarão branco, dando a entender que a orca é mais forte que o tubarão. A resposta foi dada em “Tubarão 2” (Jaws 2, Jeannto Szwarc, 1978) quando restos de uma orca aparecem na praia, destruídos pelo poderoso tubarão branco. Ah, e como eu descobri que a baleia assassina é dócil? Ué, você não viu “Free Willy” (Simon Vincer, 1993)? Eu sempre acredito no que aprendo no cinema…

“O Ataque dos Dobermanns”. Eu morria de medo.

Em termos de bizarro, nada supera aquele filme no qual Kevin Bacon vai a Perfection, uma pacata cidade do interior dos EUA para investigar estranhos tremores de terra, que justificam o título do filme em inglês (Tremors, Ron Underwood, 1990). Do meio para o final do filme revelam-se os causadores dos tremores, que justificam o título do filme em português: “O Ataque dos Vermes Malditos”. Sim, mais um título cheio de spoilers. Mas os ditos “vermes” tinham diversos tamanhos e podiam aparecer nos lugares mais inusitados…

Mais recentemente houve o hype trash “Serpentes a Bordo” (Snakes on a Plane, David Ellis e Lex Hallaby, 2006), com a improvável invasão de serpentes num voo que vai de Honolulu para Los Angeles. As serpentes foram deliberadamente soltas no avião para impedir um testemunho num tribunal, o que acabaria beneficiando um perigoso mafioso. Quem poderá impedir? Samuel L. Jackson, fazendo o papel de… Samuel L. Jackson, o BNMF mais BNMF do cinema americano.

Há cobras no avião. Há. Cobras. No. Avião. Entendeu?

Então a recomendação é comprar a sua pipoca e ir para a sala mais próxima assistir as Piranhas em 3D. Não espere uma reflexão profunda sobre a existência humana. Espere sustos, uma plateia gritando e, enfim, piranhas. Muitas delas, voando na sua direção.

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