O estranho e irresistível mundo de Tom Waits

tomwaits05

por Cassiano Rodka

Folk, jazz, blues, soul, indie, rock. Tom Waits passeia por diversos gêneros sem nunca amarrar sua mula em nenhum deles. O compositor cria os instrumentais de suas canções como se preparasse o palco para uma peça de teatro. No proscênio, estão as suas letras. Sua inconfundível voz rouca e grave narra a vida de personagens peculiares (fictícios ou baseados em pessoas reais) em um tom ao mesmo tempo misterioso e debochado. Tom Waits é, essencialmente, um contador de histórias.

Misturando sua admiração pela música de Frank Sinatra, Bob Dylan e Louis Armstrong com sua paixão pelos escritos de Jack Kerouac, William Burroughs e Raymond Chandler, Waits criou um estilo de cantar que mescla frases melodiosas com monólogos falados. Assim, o cantor dá voz a personagens como a prostituta da música “Christmas Card from a Hooker in Minneapolis”, que envia um cartão de Natal a um ex-namorado contando como ela está bem sem ele, mas revela, ao final da canção, que as coisas não vão tão bem assim para ela. Impossível não se envolver também com o personagem de “What’s He Building?”, um homem que alimenta um fascínio por um vizinho misterioso que está construindo algo que ele precisa saber o que é…

Essa habilidade de criar canções que ambientam histórias garantiu que Waits fosse chamado para compor trilhas sonoras. A primeira foi a convite de ninguém menos que Francis Ford Coppola, para quem o compositor gravou as músicas de “One from the Heart” em 1982 e ganhou indicação ao Oscar. Além de compor, Tom foi convidado a atuar em diversos filmes do diretor desde então, incluindo “Rumble Fish” (em 1983) e “Dracula” (em 1992). Mais recentemente, o cantor se destacou por sua atuação no filme “O Imaginário do Dr. Parnassus” de Terry Gilliam. No filme, ele assume o papel do Dr. Nick, uma manifestação do Diabo.

Entre um filme e outro, o cantor começou a escrever peças em parceria com sua esposa, Kathleen Brennan. Além do roteiro, a dupla assina também as trilhas, que são gravadas em estúdio, resultando em ótimos discos conceituais, onde cada música é parte de um grande relato. O primeiro desses álbuns foi o excelente “Franks Wild Years”, que conta a história de um acordeonista nascido em uma pequena cidade que sonha em conquistar o mundo com sua música. Um pouco autobiográfico, talvez.

Na década de 90, Tom Waits já possuía um fiel séquito de fãs e a crítica especializada era só elogios. Em 1992, ele levou o seu primeiro Grammy para a casa: o de Melhor Álbum Alternativo por “Bone Machine”. O feito seria repetido em 2000, mas dessa vez na categoria de Melhor Álbum Folk Contemporâneo por “Mule Variations”. Seu lançamento mais recente é o disco “Glitter and Doom Live”, que registra um dos shows da turnê do cantor pelos Estados Unidos em 2008.

A discografia de Waits é extensa, então, para quem ainda não conhece o compositor, recomendo aqui 5 dos meus preferidos, que mostram diferentes facetas do músico:

– Nighthawks at the Diner (1975)
– Blue Valentine (1978)
– Rain Dogs (1985)
– Franks Wild Years (1987)
– Mule Variations (1999)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s