Uma outra New York City (Parte I – O bairro e a arte)

UmaoutraNewYorkCity-pt1.jpg
imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Eu amo New York City muito antes de existir Sex and the City. Digo isso, porque sou muito fã da série, mas não quero ver ninguém pensando que eu sou mais uma daquelas garotas da “geração Carrie Bradshaw”, que ama NYC, sapatos caros, bolsas mais caras ainda, moda e Cosmopolitans. Eu adoro tudo isso, sim (com exceção dos Cosmos, porque sou mais uma “Margarita girl”!), mas não porque me foi imposto pelo célebre seriado de TV. Eu amo NYC desde os meus doze anos, mais ou menos. Portanto, há MUITO tempo. Tudo começou quando eu iniciei meus estudos de inglês em uma tradicional escola de inglês de Porto Alegre, minha terra natal. A cada lição, o contato com a língua e os costumes do povo norte-americano me faziam ficar mais fascinada por NYC, que, para mim, era a representação mais viva e pulsante de tudo aquilo que eu estava aprendendo em minhas aulinhas de inglês. Em pouco tempo, um dos meus maiores sonhos de adolescente era visitar, um dia, a Big Apple. Na oitava série, eu escrevi uma redação intitulada Nova York: sonho (im)possível. Lembro-me direitinho do título e de como fiz um legítimo appraisal da minha cidade ideal. Só não lembro que nota tirei.

O sonho, que eu não sabia se um dia se tornaria realidade, acabou se tornando. Estive em NYC não apenas uma, mas muitas vezes, já. A primeira foi em 1999. Depois, já fui com meu marido, com um filho, com os dois filhos, e, na semana passada, novamente, só com meu marido.

Nessa última vez, e é dela que quero falar hoje, tive a oportunidade de conhecer uma NYC diferente: a NYC do SoHo. Sempre fiquei pela turística Midtown ou pela chiquérrima área do Uptown. Dessa vez, porém, foi muito especial.

O SoHo é um mundo à parte na grande, multicultural e fascinante cidade de New York. O SoHo é uma mistura perfeita de tudo que eu mais gosto: é culturalmente interessante, é chique, é alternativa, é gastronomicamente fabulosa.

No SoHo, se pode ir facilmente de uma galeria de cartoons raros (Animazing Gallery, Greene Street) à outra, de fotografias e livros do mundo musical (Morrison Hotel). Adquirimos, por exemplo, um desenho original de Snoopy e Charlie Brown feito pelo próprio Schultz, bem como um outro dos Simpsons pelo próprio Matt Groening!

Mais adiante, na rua do nosso hotel (um dos mais trendy de NYC, o The Mercer), a Mercer Street, foi emocionada que comprei uma foto de Eric Clapton clicado por sua musa inspiradora e esposa, Pattie Boyd, a Layla da famosa canção de Clapton. Além disso, o pessoal da galeria, extremamente gente boa, me prometeu enviar um exemplar do livro de Pattie autografado, já que ela estaria na galeria para um evento na semana seguinte. O livro, que li no início do ano, fala da vida de Pattie com o Beatle George Harrison e com Eric Clapton (ela foi casada com os dois); dos bastidores das trajetórias pessoais e artísticas dos Beatles e de Clapton, e da culturalmente agitada e fervilhante Londres das décadas de 60 e 70.

Isso sem falar na rua das galerias de arte do SoHo, a West Broadway, que é uma Broadway às avessas. Esqueça os turistas, o Times Square, os anúncios luminosos e gigantes, os manjados musicais, as horrorosas lojinhas de souvenirs: a West Broadway é cult, é trendy, é moderna, é “descolada”, para usar uma gíria bem paulistana. Na West Broadway, as galerias tomam contam da rua, de ponta a ponta, literalmente, entremeadas por uma lojinha cool aqui (a brasileríssima e linda Rosa Chá, de biquínis, está localizada ali) e um restaurante chiquezinho ali, como é o caso do Downtown Cipriani. Nessas galerias, encontram-se Picassos, Mirós, Andy Warhols e Chagals a precinhos, por assim dizer, bem mais razoáveis do que se esperaria de artistas tão renomados. Há gravuras e desenhos deles, um mais legal que o outro. Até o artista pernambucano Romero Britto estava lá, entre os grandes. Aliás, o povo de New York deve estar mesmo curtindo Britto, porque o aeroporto de La Guardia tem uma loja só com obras dele.

Além da “arte oficial” do SoHo, a das inúmeras galerias, há a arte das ruas, dos carinhas que fazem desenhos, caricaturas e pinturas a céu aberto, “fotografando” os locais, os visitantes e suas fantásticas roupas, cabelos e agires, em uma dança fabulosa de cores, cheiros e humores, que se resume em uma só palavra: multicultural.

Ah! Pelas ruas, também se vendem livros raros e scripts originais de filmes e séries de TV, o máximo!

Você acha que acabou, leitor? Espere então para ler mais sobre a “minha” outra NYC no próximo capítulo dessa deliciosa crônica…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s