Renda-se você também

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por Pedro Cunha

Eu demorei, confesso. Mas não dá para resistir. Me rendi. Um ator que é indicado ao Oscar pela primeira vez aos 19 anos e depois disso mais duas vezes antes dos 40 não pode ser um qualquer. Não que a premiação da Academia seja um exemplo de justiça ao talento, mas ela não deixa de ser uma referência. Se esse não for motivo suficiente, vou elencar cinco motivos pelos quais você também já deveria ter se rendido a ele. A ele quem, você pergunta? Ora, quem mais seria? Um dos melhores (se não o melhor) atores em atividade em Hollywood, Leonardo DiCaprio, o Marlon Brando da nossa geração, como bem definiu uma amiga minha numa outra noite.

1) Ele é um ator versátil. Ah, sim, ele é. Todo mundo, num primeiro momento, lembra dele como o galã de “Titanic” (Titanic, James Cameron, 1997) ou como o ícone teen de “Diário de um Adolescente” (The Basketball Diaries, Scott Kalvert, 1995). E ele de fato poderia ter sido só isso. Mas di Caprio sempre gostou de tentar coisas diferentes. Entre o seu grandiloquente Howard Huges em “O Aviador” (The Aviator, Martin Scorsese, 2004), o seu galante Romeu em Romeu + Julieta (Romeo + Juliet, Baz Luhrmann) e o seu divertidíssimo Frank Abagnale Jr. em “Prenda-me Se For Capaz” (Catch me If You Can, Steven Spielberg, 2002) temos diferenças oceânicas. Todos os personagens de DiCaprio são ricos, cheios de trejeitos, de maneiras diferentes de falar, de cacoetes e de manias. E nunca são os mesmos! Impossível confundir um com o outro…

2) Ele sabe interpretar. DiCaprio não é um rostinho bonito que só aparece e pronto. Depois do sucesso estrondoso na segunda metade dos anos 90 ele podia escolher ser apenas isso (Alguém pensou Tom Cruise? Alguém pensou Tom Cruise??). Mas ele nunca se acomodou. As suas atuações hoje são substancialmente melhores do que as de dez anos atrás, dando a impressão que DiCaprio é um ator que estuda. Tem realmente alguma dúvida quanto ao talento do rapaz? Corre lá no vídeoclube e retira “Foi Apenas Um Sonho” (Revolutionary Road, Sam Mendes, 2008). Aliás aproveita, esse é um dos melhores filmes de 2008 e Kate Winslet foi indicada ao Oscar por ele. E injustiçada, já que perdeu (oquei, ela perdeu para ela mesma em “O Leitor” (The Reader, 2008), mas esse é bem melhor…).

“Foi Apenas um Sonho”, DiCaprio sensacional e Kate Winslet, também maravilhosa

3) Todos os diretores que trabalham com ele viram fãs. E não estamos falando de quaisquer uns: Ele agrada aos diretores de blockbuster como Steven Spielberg (Prenda-me Se For Capaz) e James Cameron (Titanic). Ele agrada aos mais alternativos como Danny Boyle (The Beach, 2000), Sam Mendes (Foi Apenas Um Sonho), e Christopher Nolan (Inception, 2010). Até com o Woody Allen ele já trabalhou (Celebrity, 1998). Foi logo após a explosão de “Titanic” e o nosso nova-iorquino preferido encheu DiCaprio de elogios, mesmo ele tendo feito um papel secundário nesse filme, que é um dos (nem tantos) bons filmes de Allen dos anos 90.

Cenas com DiCaprio em “Celebridades”.

4) Ele procura projetos diferentes. Quando se chega num certo nível fama/grana/poder em Hollywood o ator pode fazer o que ele quiser. É muito confortável apostar em blockbusters e rechear a conta de milhões de dólares. Julia Roberts, Tom Hanks e tantos outros que o digam. Mas DiCaprio vai atrás de projetos diferentes. Procura os diretores com quem sempre quis trabalhar e se interessa por ideias que não são, muitas vezes, grana certa. É uma das coisas que acabam fazendo com que ele seja um ator interessante. Prova disso é logo depois de “Titanic” DiCaprio ter se engajado em projetos como “Celebridades” e “A Praia”, que de certa forma ajudaram a começar a desconstrução da imagem que o longa de Cameron havia grudado nele.

“Diamantes de Sangue” (Blood Diamond, Edward Zwick, 2006)

5) Ele caminha para tornar-se um “realizador”. Oquei, pode rir. Mas eu queria ver se, 30 anos atrás, alguém dissesse que Clint Eastwood seria mais reconhecido como diretor e produtor do que como ator. Essa ideia do ator que produz, dirige e participa de todo o processo de criação é um conceito que Hollywood gosta muito. Além de Eastwood, atualmente Sean Penn se encaixa também na descrição. DiCaprio é relativamente jovem, ainda não tem 40 anos, mas desde 2004 trabalha como produtor executivo, cargo que exerceu em “O Aviador”, dando uma mão para o Scorsese (oquei, e aprendendo com ele, também). E desde 2007 DiCaprio é também roteirista: é um dos três autores do roteiro de “The 11h Hour” (2007, Conners), um documentário sobre ecologia e um alerta sobre a degradação ambiental do planeta.

Trailer de “The 11th Hour”, documentário do qual DiCaprio é roteirista e narrador.

E se não bastasse tudo isso ainda é, segundo todo mundo que convive com ele, um cara muito boa gente. E se não fosse suficiente… bom, ele pegava a Gisele Bündchen! Dê uma repassada na filmografia do moço, que trabalha para burro (12 filmes nos últimos 10 anos), escolha desde “Gilbert Grape, Aprendiz de Sonhador” (What’s Eating Gilbert Grape, Lasse Hallströn, 1993) até “A Origem” (Inception, Chris Nolan, 2010) e tenha a certeza de um bom filme e de um ótimo trabalho de ator.

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