Amanhece um novo dia para o Eels

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por Cassiano Rodka

“Tomorrow Morning” chega hoje às lojas, encerrando a trilogia de discos que o Eels lançou no período de um ano e meio. Tudo começou em 2009 com “Hombre Lobo”, uma coleção de 12 músicas que falavam sobre amor e desejo. Em janeiro de 2010, E lançava a sequência, “End Times”, um disco sobre divórcio e separação. Agora, fechando a trilogia, o compositor apresenta as 14 músicas de “Tomorrow Morning”, que versam sobre o período entre o fim de um romance e o iminente início de outro.

Depois das canções intimistas e melancólicas de “End Times”, Mr. E anunciou que “Tomorrow Morning” seria um álbum mais para cima. De fato é, mas se você espera um álbum pop e ensolarado, está no caminho errado.

O disco inicia com “In Gratitude for This Magnificent Day”, uma faixa instrumental composta com sons invertidos, tecladinhos repetitivos e notas dissonantes. É, de fato, um bom prenúncio do que vem pela frente: minimalismo, experimentalismo e muitos teclados em uma embalagem pop e levemente melancólica. “I’m a Hummingbird” traz a inconfundível voz de E cantando sobre uma inusitada colagem de teclados, algo incomum no repertório do Eels. Melancólica na melodia, mas esperançosa na letra, a faixa deixa claro que esse é realmente um álbum bem diferente dos outros da banda. O mesmo ocorre em “The Morning”, cuja sonoridade remete ao segundo álbum da trilogia, “End Times”, mas cuja letra mergulha na mensagem de um novo dia do disco: “In the morning/When the birds are still asleep/You can feel it/No cars are on the street/It’s anybody’s day/It could go any way/Why wouldn’t you want to make/The most of it?” (Pela manhã/ Quando os pássaros ainda dormem/Você consegue sentir/Não há carros nas ruas/Pode ser o dia de qualquer um/Tudo pode acontecer/Por que você não iria querer/Fazer o melhor dele?)

A primeira música a trazer o prometido clima up do disco é a quarta faixa, “Baby Loves Me”, baseada em um loop de duas notas tocado no teclado e uma letra divertida em que E canta frases como “Record company hates me/The doctor says I’m sick/The bad girls think I’m just too nice/And the nice girls call me dick/But Baby loves me/And she’s smarter than you/My baby loves me/Unlikely, but true” (A gravadora me odeia/O médico diz que estou doente/As garotas más dizem que sou muito bonzinho/E as boazinhas dizem que sou um idiota/Mas minha namorada me ama/E ela é mais esperta que vocês/Minha namorada me ama/É difíci de acreditar, mas é verdade). O clima apaixonado se mantém na faixa seguinte, “Spectacular Girl”, em uma melodia pop que foi escolhida para ser o primeiro vídeo tirado do álbum.

“What I Have to Offer” traz novamente o clima melancólico remanescente de End Times, mas com uma letra mais reflexiva e positiva. “This Is Where It Gets Good” leva o som do disco para uma área mais experimental. Com uma batida eletrônica e teclados moog minimalistas, E canta com um efeito carregado na voz durante os 2 primeiros minutos. Depois samples de cordas que ignoram completamente o tom da canção adicionam-se ao mix, causando um efeito ora belo, ora estranho que se estende por 4 minutos instrumentais até o fim da música. “After the Earthquake” é uma vinheta instrumental que funciona quase como um interlúdio, algo bastante comum nos álbuns do Eels. Depois dela, “Oh So Lovely” surge tocada em um cravo acompanhado de instrumentos de sonoridade medieval – não sei como não foi parar na trilha do Shrek, já que a banda apareceu nas últimas 3 trilhas do filme. Essa caberia muito bem em mais uma.

“The Man” é um bem humorado exercício em autoconfiança, uma faixa divertida que certamente vai ganhar coro dos fãs nos shows e aposto também em um videoclipe. Em “Looking Up”, Mr. E cria um gospel moderno, usando diversas vozes ao som de palmas, um baixo pulsante e tecladinhos moog. “That’s Not Her Way” traz as guitarras de volta à frente do som em uma balada que remete à sonoridade de “Hombre Lobo”, o primeiro disco da trilogia. O mesmo acontece em “I Like the Way This Is Going”, que traz possivelmente a letra mais fofa do disco, uma declaração simples e apaixonada, que é a marca registrada do vocalista. “Mystery of Life” conclui o álbum (e a trilogia) com direito a refrão de lalalás e uma letra que enaltece o mistério que é viver e acordar a cada dia com novas possibilidades.

A versão deluxe de “Tomorrow Morning” traz um EP com 4 faixas bônus, entre as quais se destaca a divertida “Let’s Ruin Julie’s Birthday”, que remete aos discos antigos da banda, em especial “Daisies of the Galaxy”.

Com certeza, um dos discos do ano!

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