A vida heróica de Gainsbourg

por Cassiano Rodka

Um dos mais talentosos e polêmicos ícones da música francesa ganhou uma merecida e caprichada cinebiografia. Sob a direção do estreante Joann Sfar, a vida de Serge Gainsbourg tornou-se um conto com toques surrealistas que certamente agradaria o compositor.

Joann Sfar é um artista gráfico e resolveu contar a história do cantor criando tanto um livro ilustrado quanto um filme, ambos intitulados “Gainsbourg – Vie héroïque”. Sua visão de criador de histórias em quadrinhos certamente teve uma forte influência na maneira de retratar a vida do compositor nas telas. Além de criar uma bela animação para a sequência de abertura, o diretor deu vida a personagens fantásticos que servem como alteregos de Gainsbourg e dão um toque de conto de fadas ao filme.

Inicialmente, o projeto foi criado com a ideia de que a filha do cantor, a atriz Charlotte Gainsbourg , interpretasse seu pai. A atriz topou e participou de seis meses de ensaios até desistir do papel por considerar muito emocionalmente doloroso. Sfar chegou a pensar em desistir do filme, mas mudou de ideia quando conheceu o ator Eric Elmosnino. Além de ser muito parecido fisicamente com Gainsbourg, o ator soube pegar muito bem os trejeitos do cantor.

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As boas interpretações se estendem a todo elenco, incluindo algumas das vááárias belas mulheres de Gainsbourg: a modelo Laetitia Casta está perfeita como Brigitte Bardot e a atriz Lucy Gordon não deixa por menos como Jane Birkin, seu último papel no cinema. Lucy cometeu suicídio logo após as filmagens, entristecendo os amigos e rendendo mídia para o filme. Outro grande destaque é o ator Doug Jones, que ficou famoso por seu trabalho de expressão corporal interpretando criaturas como o Fauno (do “Labirinto do Fauno”), o Surfista Prateado (do “Quarteto Fantástico 2”) e Abe Sapien, o homem-peixe do “Hellboy”. No filme, Doug assume o papel de um dos alteregos de Gainsbourg, chamado de “La Gueule”, algo como “O Nariga”. La Gueule é um lado boêmio e pândego do cantor, que insiste em levá-lo ao caminho da fama e fortuna.

Sobre o projeto, Joann Sfar escreve em seu livro: “Não quis fazer um filme sobre a carreira de um cantor; mas sobre um poeta que decidiu conquistar a França ao apropriar-se da língua francesa. Não trata-se de uma biografia, mas de um relato épico.”
Para quem admira sua música ou quer conhecer um pouco de sua vida, “Gainsbourg – Vie héroïque” é um filme de primeira. Ou, em bom francês: afoudet!

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