Tempo, tempo, mano velho…

por Pedro Cunha

Quando o professor Emmet Brown mostra para o jovem Marty McFly seu DeLorean envenenado ele está fazendo mais do que mostrando a sua máquina do tempo: ele está criando um ícone dos anos 80. Atire a primeira pedra quem nunca quis o DeLorean com as portas que abriam para cima… Pois na primeira cena em que o carro aparece o professor Brown explica para Marty o funcionamento do Capacitor de Fluxo, a peça engenhosa que faz o trabalho todo. E mostra para Marty uma data aleatória qualquer afirmando: “Poderíamos conhecer o futuro!!”. A data? 5 de julho de 2010. É, meus amigos, o futuro chegou. E é por isso que essa semana eu vou fazer a lista dos melhores (sempre na minha opinião, enfim) filmes ou cinesséries sobre viagem no tempo! Afivele seu cinto de segurança, prenda a respiração e vamos lá:

5) O Feitiço do Tempo (Groundhog Day, Harold Ramis, 1993)

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Bill Murray e Andie MacDowell estão nessa comédia leve e despretensiosa. E quantas vezes nós não precisamos de um filme despretensioso. Murray é Phil, um repórter televisivo que vai ser responsável pela cobertura do “Dia da Marmota” numa cidadezinha do interior. O que poderia ser pior do que ir cobrir o Dia da Marmota? Ficar preso no dia da marmota! É o que acontece com ele. Phil, de alguma mágica maneira, acaba preso naquele dia e sempre que vai dormir acorda na mesma manhã. O que faz com que ele comece a calcular como agir durante o dia, em especial em relação à Rita, personagem de MacDowell. Ramis, que depois dirigiria “A Mafia no Divã” (Analyze This, 1999) e “A Máfia de Volta ao Divã” (Analyze That, 2002), faz uma direção leve como uma boa comédia (não, não vou por o adjetivo romântica aqui!!!) deve ter. É daqueles imperdíveis na sessão da tarde, ainda mais com esse friozinho.

4) Peggy Sue: Seu Passado A Espera (Peggy Sue Got Married, Francis Ford Coppola, 1986)

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Peggy Sue (Kathleen Turner) é uma senhora de meia-idade típica dos EUA. Desistiu de carreira e estudos para ser mãe e dona de casa e é “feliz” assim. É, “feliz”. Pelo menos é o que muita gente pensa. Na verdade passa por um divórcio complicado com Charlie, seu namorado desde os tempos da escola que a trocou por outra, e enfrenta uma depressão bem complicada. Para se animar Peggy Sue, que era cheerleader e a menina mais popular da classe, organiza um reencontro da turma de high school. Para se sentir melhor Peggy usa uma roupa um número menor para parecer mais magrinha e acaba passando mal e desmaiando na festa. Quando acorda, a surpresa: de alguma maneira ela voltou para a sua adolescência e pode recorrigir sua vida, desde as decisões que ela considera erradas. Será mesmo que pode?

3) Te Amarei Para Sempre (The Time Traveler’s Wife, Robert Schwentke, 2009)

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Nomes enganam. Eu jamais iria assistir esse filme no cinema não fosse a crítica do Huyer, amigo e ex-aluno (http://fakeline.wordpress.com). O filme é lindo, um dos melhores de 2009. O roteiro, adaptado de um romance por Bruce Joel Rubin, conta a história de Henry (Eric Bana, quando adulto), um homem que tem uma espécie de doença ou condição que faz com que ele dê saltos no tempo de maneira aleatória, incontrolável e inesperada. Ao contrário de outros viajantes do tempo Henry sempre aparece nu e sem qualquer tipo de recurso. Numa dessas viagens ele conhece a menina Claire Abshire (Rachel McAdams), a quem vai reencontrar em diferentes momentos da vida dela, durante suas viagens. O interessante é que quando ela o conhece “em tempo real” ele ainda não a conheceu, porque só viajará para a infância dela depois disso. É possível desenvolver uma relação assim? Sério, veja esse. Um dos melhores de 2009 e com certeza um dos mais lindos.

2) O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (The Terminator e Terminator 2: Judgement Day, James Cameron, 1984 e 1991)

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Ele não podia ficar de fora, não é? Apesar do horrível terceiro filme e do médio quarto, os dois primeiros filmes não podiam ficar de fora dessa lista. Acredito que todos conheçam o plot original: num futuro não muito distante (1998 era esse futuro…) as máquinas dominariam o mundo. Um bravo núcleo de resistência humana, liderado por John Connor, resistia bravamente. O que as maquinas fizeram? Enviaram o T-100 (Arnold Scharzenegger), sua máquina de matar mais letal de todas, ao passado para matar a mãe de John, Sarah Connor (Linda Hamilton) . A resistência humana envia um agente, Kyle Reese (Michael Biehn), para proteger Sarah da letal máquina de matar. No segundo filme temos uma Sarah Connor completamente surtada e um John Connor (Edward Furlong) meio marginal que duvida seriamente da mãe, já que ela diz para ele que ele será um messias importante no futuro. Quando o T-100 aparece novamente Sarah pira: é o robô que quase a matou. Mas dessa vez Schwarzza está do lado dela: o inimigo é o T-1000 (Robert Patrick), robô de metal líquido ainda mais mortífero (e terrivelmente chato de matar). O filme é adrenalina do início ao fim e nos intervalos entre as cenas de ação tem tiradas muito legais, com John Connor “humanizando” o T-100, entre outras coisas ensinando para ele os clássicos “Hasta la vista, baby” e “I’ll be back”. A trilha sonora, puxada por “You Could Be Mine”, dos Guns N’ Roses, também é fantástica. O Exterminador do Futuro é um dos raros casos no qual a sequência é melhor que o filme original. E isso que o filme original é bom. Para mim são, juntamente com “O Segredo do Abismo” (The Abyss, 1989) , os melhores filmes de Cameron.

1) De Volta Para o Futuro I, II e III (Back to the Future I, II e III, Robert Zemeckis, 1985, 1989 e 1990)

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Sim, eu não podia deixar de fora. A trilogia de Marty McFly, o papel icônico de Michael J. Fox, é o melhor filme já feito sobre viajem no tempo. Com alguma folga, inclusive. O cientista maluco “Doc” Emmet Brown (Christopher Lloyd) contrabandeia plutônio de terroristas líbios e transforma um DeLorean 1985 numa máquina do tempo. Acidentalmente seu amigo, o jovem Marty, vai parar em 1955 onde intromete-se entre… seus pais! Ao mesmo tempo em que tem que preocupar-se em voltar para 1985 Marty tem também que fazer com que seu pai e sua mãe fiquem juntos, já que se não consegui-lo ele próprio vai deixar de existir (a fotografia onde as pessoas vão sumindo é icônica, tanto quanto o DeLorean. No segundo filme Marty vai ao futuro tirar o seu filho de uma encrenca. Estando por lá ele resolve trazer para o passado um almanaque de resultados esportivos, para tirar alguma vantagem… Claro que tudo dá errado e o almanaque vai parar nas mãos de Biff Tanen (Thomas Wilson), “inimigo” da família que usa o almanaque para construir um império financeiro. Nesse filme a missão de Marty é resgatar o famigerado almanaque para fazer com que tudo volte ao normal. O destaque do filme são os múltiplos papeis de J. Fox, que faz Marty, seu filho e também sua própria filha. Já no terceiro filme Marty vai parar no século XIX, em pleno velho oeste e seu grande problema é conseguir energia para fazer o DeLorean voltar a funcionar. Aqui o professor Brown arranja uma namorada e os encontros inusitados são com os tataravós dos McFly, também interpretados por Michael J. Fox, em sua melhor forma. Enfim, os três filmes são imperdíveis. E ainda por cima tem aquele skate voador do segundo filme, que tornou-se um objeto de desejo quase tão venerável quanto o DeLorean…

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