Onde há Paul McCartney, há fogo!

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por Cassiano Rodka

É incrível como a adoção de um pseudônimo pode nos dar liberdade para fazermos coisas que não faríamos assinando com nosso próprio nome. Se para os Beatles assumir a identidade da banda Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band fez milagres na hora de compor, para Sir Paul McCartney isso aconteceu sob a alcunha de The Fireman.

O projeto nasceu em 1993, quando McCartney juntou forças ao produtor Youth, conhecido por seu trabalho na banda industrial Killing Joke e no grupo eletrônico The Orb. A ideia do ex-Beatle era sair completamente de sua área de segurança – o rock – e experimentar novos caminhos musicais. Tudo começou quando Paul passou algumas músicas de seu álbum “Off the Ground” para Youth criar remixes bem distintos das versões originais. McCartney se entusiasmou com o resultado e entrou no estúdio com o produtor para criar novas músicas a partir daqueles novos mixes. E assim foi criado o disco de estreia do duo The Fireman, “Strawberries Oceans Ships Forest”. Bem experimental, o disco encaixa-se no estilo chamado de ambient eletronic, ou seja, música eletrônica para escutar sentado.

O segundo disco, “Rushes”, saiu em 1998. Dessa vez, a dupla não partiu de músicas de McCartney, criando as canções desde o princípio no estúdio. O resultado agradou mais à crítica e aos músicos do que o primeiro disco, mas as faixas de, em média, 10 minutos definitivamente não eram feitas para o rádio.

Dez anos depois, Youth e McCartney resolveram se reunir mais uma vez em estúdio para a gravação um novo álbum. Em 2008, surgiu o terceiro e mais recente álbum da dupla, “Electric Arguments”. Mais acessível que os antecessores, o disco é um pouco menos eletrônico e conta com vocais em suas músicas pela primeira vez. Segundo Paul, as canções eram criadas através de muita improvisação, inclusive as letras. A influência de música eletrônica ainda aparece presente, principalmente nas faixas que fecham o disco, incluindo o single “Lifelong Passion”. O álbum foi extremamente bem recebido pela crítica, sendo considerado um dos melhores lançamentos do compositor depois dos Beatles pela Rolling Stone. Com a boa recepção, mais duas músicas foram lançadas como single: “Dance Til We’re High”e “Sing the Changes”, que ganhou videoclipe.

Fui pego de surpresa quando escutei “Electric Arguments” pela primeira vez, pois o que encontrei nas músicas não era o velho Paul McCartney de sempre, mas sim uma interessantíssima nova versão do compositor. As músicas têm belas melodias em arranjos ensolarados e contemporâneos. O experimentalismo continua presente, mostrando que a banda gosta de levar suas composições além do lugar comum, adicionando belas molduras às já bonitas pinturas.

O álbum pode ser escutado na íntegra no site do The Fireman: http://www.thefiremanmusic.com/home

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