Robin Hoods

por Pedro Cunha

Está em cartaz, ainda não tive tempo de assistir, o “Robin Hood” (Robin Hood, 2010) de Ridley Scott. Quando eu soube dessa versão eu fiquei um pouco surpreso: achei que nada mais havia a ser dito ou mostrado sobre o bom ladrão de Sherwood… Intrigado, fui pesquisar quantas vezes Robin Hood já foi encarnado no cinema antes de sê-lo por Russel Crowe. E me espantei: eu sabia que o personagem era popular, mas não tanto. Existem, por baixo, mais de dez versões de Robin Hood. Desde a primeira, estrelada em 1922 por Douglas Fairbanks, passando pela atual obra da parceria Ridley Scott/Russel Crowe. Olhando a lista com um pouco mais de atenção, cheguei à conclusão de que eu já assisti uma penca de versões do herói inglês. E, enquanto não consigo assistir ao senhor Crowe, vou listar aqui os cinco melhores filmes sobre Robin Hood da história do cinema (é claro, na minha humilde opinião…)

5) A Louca, Louca História de Robin Hood (Robin Hood: Men in Tights, Mel Brooks, 1993)

Ah, vá… Mel Brooks quase sempre é bom. Ou, enfim, era. O cara hoje já está com 84 anos e continua na ativa. Esse filme, de 1993, é uma paródia divertida e descompromissada, cheia de piadas de duplo sentido e produzida quando a praga do politicamente correto ainda não havia se consolidado como normatizadora da moral. Anacronismos, absurdos e números musicais deixam a história do amigo de Will Scarlet O’Hara (uma sátira ao tradicional Will Scarlet) e do Pequeno John uma bobajada muito divertida de assistir. O próprio Brooks participa como o Rabino Tuck, uma paródia judaica do tradicional personagem Frei Tuck. Isaac Heyes como o companheiro muçulmano de Robin várias vezes rouba o filme. É, enfim, um filme divertido e que vale com certeza uma tarde de semana sem nada para fazer…

Confira um clip com alguns dos bons momentos do filme:

4) Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (Robin Hood: Prince of Thieves, Kevin Reynolds, 1991)

A caprichada versão de Kevin Reynolds, um diretor que gosta de um épico (“Rapa Nui”, 1994; “Waterworld”, 1995; “O Conde de Monte Cristo”, 2002; “Tristão + Isolda”, 2006…), se pretendia definitiva. Kevin Costner, o galã da virada dos anos 80 para os 90, vinha de uma sequência de trabalhos médios e alguns até muito bons (“Os Intocáveis”, 1987; “Campo dos Sonhos”, 1989; “Dança com Lobos”, 1990) era o cara indicado para o papel e “vestiu” muito bem o manto de Robin Hood. O roteiro de Pen Denshaw é redondinho (até demais) e o elenco de apoio (Mary Elizabeth Mastrantonio como Marian, Christian Slater como Will Scarlet, Alan Rickman fazendo o vilão, o Xerife de Nottingham, e Morgan Freeman fazendo Morgan Free… ops, quer dizer, Morgan Freeman fazendo Azeem, o parceiro mouro de Robin) sustenta legal o filme, mas o que marcou meeeesmo a produção foi a trilha sonora: “(Everything I Do) I Do It For You”, a grudenta balada de Bryan Adams tocou exaustivamente nas reuniões dançantes, nas entradas das meninas nas festas de 15 anos, nos elevadores e salas de esperas dos dentistas pelo mundo todo…

Olha aí o clipe do Bryan Adams, cheio de cenas do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=ZGoWtY_h4xo

3) Robin e Marian (Robin and Marian, Richard Lester, 1976)

Alguém teve a coragem de mudar o título, enfim… e mais do que isso, na verdade. Sean Connery já era quase um cinquentão quando encarnou o herói da floresta de Sherwood. Mas, enfim, ele é Sean Connery, um tremendo ator que sempre faz um bom trabalho, e melhor ainda quando é um mocinho. Lady Marian, que se torna mais importante ainda nessa versão, foi nada mais nada menos que Audrey Hepburn, que tamém já andava perto dos cinquenta anos. Vamos combinar que não precisaria mais, né? Pois há Richard Harris, sempre competente, como Ricardo Coração-de-Leão, o rei dos ingleses. Richard Lester, diretor de duas versões de “Os Três Mosqueteiros” (a de 1973 e a de 1989), de Superman II (1980) e de “Os Reis do Ié Ié Ié” (A Hard Day’s Night, 1964), o primeiro longa dos Beatles, conduz uma história de herói, como ele sabe fazer.

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2) As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood, Michael Curtiz e William Keighley, 1938)

Eis o filme que inspirou absolutamente todos que vieram depois, inclusive os outros quatro da minha lista. E não precisaria dizer mais nada que não fosse que o filme é estrelado por Errol Flynn. Flynn tornou-se o símbolo do galã de capa e espada nos anos 30 e 40, tendo feito papel de espadachim, pirata, mosqueteiro e todos os do gênero. Seu Robin Hood definiu todos que vieram depois. Seus trejeitos, seu sorriso e até seu bigodinho. Outro destaque do filme é o figurino que, assim como Flynn, também tornou-se o modelo a ser seguido por todos aqueles que voltaram à história de Robin Hood. E a Lady Marian da vez é nada mais nada menos que Olivia de Haviland, a Melanie de “… E o Vento Levou” (Gone with the Wind, Victor Fleming, 1933). Filmaço que ajudou a definir o gênero “Aventura” no cinema. Recomendadíssimo.

Robin Hoods 02.png

1) Robin Hood (Robin Hood, Wolfgang Reitherman, 1973)

Oquei, xingue-me. Mas sim, eu estou falando da versão da Disney. Vale lembrar que o critério de elaboração dessa lista é o quanto esses filmes são importantes PARA MIM. É uma lista pessoal e subjetiva, portanto. E essa animação dos anos 70, bastante caprichada para a época, é um dos desenhos que nortearam a minha infância. Conforme a sua tendência do período, a Disney transformou todos os personagens em animais antropomorfizados, colocando neles aquele charme que só as criaturas da Disney têm. Um desenho alegre, um Robin heroico, uma Lady Marian “mocinha para ser salva” (ambos raposas), um Xerife de Nottingham (um lobo) realmente mau e um João Sem Terra (um leão, talvez) ganancioso e cruel. Tudo que uma criança precisa: heróis bondosos e com relacionamentos saudáveis e vilões cruéis e gananciosos. Um desenho assim ajuda, inclusive, a formar caráter.

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Ao mesmo tempo em que fiquei elaborando essa lista e vendo quantas vezes Robin Hood foi (bem) levado às telas, fiquei também pensando que o sr. Scott, que já nos deu tantas coisas boas como “Os Duelistas” (The Duelists, 1977) “Alien” (1979), “Blade Runner” (1982) ou “Thelma e Louise” (1991) poderia tentar, ao invés de repassar uma história mais do que recontada, nos apresentar alguma novidade que pudesse encantar em vez de se somar a uma lista já grande de todos que levaram Robin Hood ao cinema. Posso até estar enganado, mas tenho sérias dúvidas se o filme de Scott poderia entrar entre os três primeiros da minha lista…

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