Em tempos de Alice

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imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

Eu não ia falar de Alice. Eu prometi que não iria falar de Alice porque toda santa criatura do mundo das artes está falando de Alice há alguns meses. A minha querida amiga e parceira de site, Marcella Marx, falou irretocavelmente de Alice, neste PáginaDois, em forma de poesia, como só ela sabe fazer. Mas não há como não falar de Alice. Principalmente depois que fui assistir à película fantástica de Tim Burton no último sábado, com minha filha Angelina. Fiquei em êxtase, acho que mais que a Angelina e mais do que todas as crianças da sala de cinema juntas! Amo Alice. Sempre amei Alice.

Portanto, no meu caso, decidi falar não porque todo mundo está falando, mas simplesmente porque Alice no País das Maravilhas foi parte importantíssima de minha infância. Como o foi, igualmente, parte da infância de muitas crianças na década de 80 e em décadas anteriores.

Minha geração conheceu Alice sob a forma da linda menina loira de Walt Disney, que corria feito doida atrás do Coelho Branco. Minha geração também assistiu à atriz Myriam Rios (muito bem cotada na época) interpretar uma Alice de cabelos escuros nos palcos, num belíssimo espetáculo do qual lembro até hoje detalhes. Canções maravilhosas que sei de cor ainda. Intitulava-se O Sonho de Alice e foi encenado no ano de 1982 (essa informação foi o Sr. Google que me forneceu).

Além disso, havia uma relação particularmente interessante entre a cronista que vos fala e a enigmática personagem de Carroll. Quando criança, provavelmente incentivada pelo espetáculo de Myriam Rios, montei, com meus irmãos e alguns primos, uma produção teatral caseira de Alice! Minha prima Roberta, que sempre foi uma mandona (tanto assim, que hoje trabalha na Polícia Gaúcha!), fez as vezes de nossa Alice. Ela praticamente decidiu sozinha que ficaria com o papel principal, e todos nós aceitamos, sob alguns protestos, porque um grupo precisa ter um líder, afinal! Eu, minha irmã Camila, meu irmão Cassiano (o Rodka, leitores!) e nosso primo Leonardo (onde andas, guri, que nunca mais te vi?) fizemos os outros personagens: as flores, a Lagarta, o Gato, o Chapeleiro Maluco, a Lebre, a Rainha, e, obviamente, o Coelho Branco. O Leonardo interpretou, sem dúvidas, o melhor Coelho Branco de toda a história de encenações de Alice! Agitadíssimo, como sempre foi, pulava tanto de um lado para o outro com um relógio despertador do avô dele durante o “espetáculo”, que enfureceu o velho a ponto de fazer com que ele gritasse da “plateia”, “Larga o meu relógio, guri!”. Incrível como esse tipo de lembrança fica viva e colorida na memória, como se tivesse acontecido há pouco tempo… Não preciso dizer que nossa família amou nossa despretensiosa produção teatral. Provavelmente, a tirar pelo que conheço da parte da família que assistiu à peça, para eles, deve ter sido “a melhor, mais linda, mais fantástica, mais perfeita e mais colossal encenação teatral de Alice já vista em todos os tempos e em todo o mundo!!!”.

Bom, o que importa, Alice aqui, Alice ali, é que pude viver, em algum momento de minha vida, em um mundo de Alice, sem sentir a menor culpa por isso. E quem nunca o fez, que atire a primeira pedra.

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