Homem de Ferro 2

por Pedro Cunha

* Para uma leitura mais aprofundada, recomendo conferir antes o histórico dos filmes baseados em quadrinhos que fiz no post anterior.

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Chegamos em 2010 e foi lançado, com muita expectativa, “Homem de Ferro 2”. O longa não conta com o elemento-surpresa que o primeiro contou: o diretor, Favreau, é o mesmo. O elenco-base também é o mesmo, com Downey Jr. e Gwyneth Paltrow. O que muda? Mudam os vilões. Mickey Rourke, renascido com o excelente “O Lutador” (The Wrestler, Darren Aronofsky, 2008), foi escalado para fazer o Chicote Negro, tradicional vilão do Homem de Ferro. Sam Rockwell foi o escolhido para fazer Justin Hammer, o “inimigo corporativo” de Tony Stark. O elenco-base ainda teve as adições de Don Cheadle como James Rhodes, o Máquina de Combate (bem melhor que o Terrence Howard no primeiro filme) e a sensacional Scarlett Johansson como Natasha Romanova/Viúva Negra.

O filme tem um roteiro arrumadinho. Mais uma vez, o filme fica bom por focar no ser humano Tony Stark e nos seus problemas (o Paládio, a bebida, a insegurança, a relação mal resolvida com o pai…) muito mais do que no herói de armadura, seu alter-ego. Mas é uma sequência e se perde um pouco tentando seguir nas pegadas do primeiro filme. As tiradinhas de humor acabaram ficando um pouco além do limite (no primeiro filme foram na medida certa). Downey Jr. continua fantástico, fazendo um Tony Stark que agrada quem não conhece o personagem e impressiona quem lê os quadrinhos. A cena dele bêbado com a garrafa na mão é muito boa. Outro ponto alto do filme é a trilha sonora. AC/DC pegando forte e diversas citações rock ‘n’ roll, como The Clash e Queen. O CD da trilha sonora é uma belíssima coletânea para dirigir na estrada, por exemplo (mas tome cuidado com as multas por excesso de velocidade…). A melhor cena de ação do filme é a cena de luta em Mônaco. A “estreia” do Chicote Negro foi bastante impactante e todo mundo prende a respiração na medida em que ele avança em direção ao carro. A armadura na maleta é outra referência bacana aos quadrinhos. A última cena de batalha, na minha opinião, decepciona um pouco. As duas armaduras, Homem de Ferro e Máquina de Combate, juntas, tomam um suador do Chicote Negro e dos drones. Além de a cena ser à noite, o que sempre facilita para o pessoal da CG… Os efeitos durante o dia são mais difíceis, mas são melhores também.

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Uma das coisas interessantes do filme foi explorar a relação do Stark com o pai. Quando o pai fala com ele nos vídeos é impossível não perceber uma referência ao “Superman” do Donner, quando Jor-El (Marlon Brando) falava para seu filho através de uma gravação. A preocupação de Favreau em rechear o filme de referências sem deixá-lo hermético para os “não iniciados” em histórias em quadrinhos é um dos pontos altos do filme.

Falando das coisas nem tão boas assim, uma que me incomodou bastante no filme foi a Viúva Negra. Não dá para avaliar muito a atuação da Scarlett Johansson porque a personagem ficou completamente bidimensional. Não tem background, não tem história, não tem passado. Não tem uma opinião, sequer. Ou esse personagem vai aparecer mais em algum dos outros filmes da Marvel ou então sua inclusão foi completamente desnecessária e sem sentido. Quando eu li que a personagem estaria no filme logo lembrei da trama de “Os Supremos Vol. 2”, onde a Viúva é na verdade uma espiã russa que se envolve (chegando a tornar-se noiva) com Stark a fim de sabotar o Homem de Ferro e os Vingadores. Nem quis me inteirar muito sobre o roteiro para que a possibilidade da traição da Viúva Negra pudesse me “surpreender”, se fosse o caso. Claro que isso ainda pode acontecer nos próximos filmes, mas nem a sempre excelente Scarlett Johansson conseguiu salvar a personagem.

O filme é bom, no fim das contas. Um filme de ação muito legal, com carros, mulheres e homens bonitos, boas tiradas. Mas ficou um gostinho de já-te-vi e pelo menos para mim uma preocupação muito grande em se parecer com o primeiro filme. Vamos ver o que nos reserva “Homem de Ferro 3”, que já está garantido com Favreau e Downey Jr. Mas antes dele ainda vem “Thor”, que está prenunciado na cena pós-créditos de “Homem de Ferro 2”. O projeto de “Thor” está nas mãos de Kenneth Branagh, um nome bem apropriado para um filme mitológico. “Thor” será vivido por Chris Hemsworth (o jovem Kirk do novo Star Trek) e seu pai Odim, o Senhor de Asgard, será nada mais nada menos que Anthony Hopkins. “Thor” sai em 2011. E ainda em 2011 sai “Captain America”, cujo roteiro está sendo finalizado por David Self. Chris Evans (que curiosamente viveu o Tocha Humana nos dois longas do Quarteto Fantástico) será o Capitão América e Hugo “Agente Smith” Weaving vive seu antagonista, o Caveira Vermelha. Todos eles estão escalados para “The Avengers”, em 2012 e com produção executiva de Favreau. “Homem de Ferro 2” serviu para organizar cronologicamente algumas coisas: o filme se passa após “Homem de Ferro” e ao mesmo tempo de “O Incrível Hulk”, já que no escritório de Nick Fury há um jornal com a manchete falando do ataque do Hulk na Universidade Culvier. Pela cena pós-créditos, Thor é o próximo. E vamos ver se teremos uma sequência épica de filmes ou dois bons filmes que acabaram resultando numa sequência vergonhosa…

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