E fim

efim

por Clarice Casado

Eu não acreditava em nada desta besteirada de fim dos tempos, até a última quinta–feira. Sim, leitores, eu fui uma vítima do vulcão de nome impronunciável. Dentre lavas e feridas (todas emocionais), não enfrentei filas em balcões de companhias aéreas e nem colchonetes desconfortáveis em terminais de aeroportos. Não, nada disso. Dei sorte, até. Apenas não consegui sair do Brasil. Viagem de férias marcada, sonhos por lavas abaixo…

No início, nem liguei. Encarei a notícia como qualquer notícia que vem de longe: terremoto no Haiti, enchente no Rio, revolta armada em Mianmar. Longe dos olhos, longe do coração? O problema é que hoje em dia, por mais que você tente deixar as notícias longe dos seus olhos e dos seus ouvidos, não consegue. É aquele bombardeio na TV, no rádio do carro, pelo Twitter e afins, pela Internet do seu celular, pelos e-mails que todo mundo te manda: não há escapatória. Absorva a imensidão de informações, ou revolte-se totalmente contra a tecnologia: Vá morar na Islândia!

Fim dos tempos? Como eu dizia no primeiro parágrafo, essa expressão nada me falava… Inócua, inerte, insignificante. Bastou este vulcão fechar por cinco dias o espaço aéreo de grande parte do continente europeu para que eu desse um tiquinho do meu braço a torcer: leitores, esse vulcão é ou não é coisa de filme? Só está faltando o Bruce Willis ou o Will Smith para, no último minutinho, colocar um tampão ou algo parecido na boca do bicho-vomita-fogo salvando a Humanidade desesperada da falta de voos! O pior é que a coisa não é cinema, não. É bem real. E assustadora.

Mas será que não é só informação em excesso e em altíssima velocidade? Ou a coisa está mesmo enfumaçada para o nosso lado? Nós, sábios mortais? Nós, inventores dos aviões e da Internet e do fast food e do lixo infinito e do lixo eletrônico? Os vulcões erupcionam há séculos… A diferença é que antes, ninguém sabia de tanta coisa tão rapidamente e com tantos detalhes. Dá medo.

Não sei nada de geologia. Não sei tanta coisa assim de geografia, apesar de ter sido uma aluna aplicada nesta matéria na escola. Porém, de uma coisa tenho certeza: é muito mais fácil parar este “mundo velho sem porteira” do que eu imaginava. Estamos nas mãos da fúria indomável da natureza? É bem provável. E o pior é que, nessa história, não vai ter mocinho para nos salvar. E fim.

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