O italianíssimo mundo cão de Mike Patton

Mike Patton - Mondo Cane.jpg

por Cassiano Rodka

Depois de longos anos de espera, o tão falado projeto de músicas italianas de Mike Patton finalmente vai sair do forno. No dia 4 de maio, o disco “Mondo Cane” chega às lojas com 11 clássicos da música italiana dos anos 50 e 60 entoados por Patton e uma orquestra.

Para construir esse álbum, o cantor gravou três shows do Mondo Cane na Itália e escolheu os melhores momentos para incluir na seleção. Mas o álbum não é exatamente um disco ao vivo, as faixas foram montadas com os vocais de um show, os violinos de outro, o trompete de outro e por aí vai. Foi como um quebra-cabeças onde Patton escolhia as melhores peças para chegar a uma imagem ideal. Alguns vocais e efeitos foram adicionados no estúdio mesmo, ou seja, o produto final soa como uma gravação de estúdio e não um ao vivo. Para quem tem acompanhado os shows desse projeto – que vêm acontecendo desde 2008 -, essa pós-produção pode causar um certo estranhamento, pelo menos de início. Confesso que logo que ouvi a primeira faixa, a bela “Il Cielo In Una Stanza”, estranhei bastante as muitas vozes trabalhadas no lugar do emocionante vocal ao vivo do Patton. Mas depois que passa o primeiro estranhamento, fica cada vez mais fácil se apaixonar pelas faixas do disco.

Algumas músicas ganharam muito por serem trabalhadas em estúdio, como a divertida “Che Notte!”, que tem muitos instrumentos e samples dividindo espaço ao mesmo tempo, ficando muito mais clara na gravação. Ao vivo, ela soava um tanto bagunçada. “L’Uomo Che Non Sapeva Amare” também ganhou em estúdio, com uma mixagem bacana que destaca bem cada instrumento da canção.

As canções que mais me agradaram desde o início foram aquelas que conseguiram manter o clima ao vivo, sendo apenas melhor trabalhadas e mixadas no estúdio, mas sem exageros. É o caso de “20 KM AI Giorno”, “Ore D’Amore”, “Quello Che Conta”, “Urlo Negro” e “Ti Offro Da Bere”.

Já algumas músicas ficaram um pouco exageradas, com muito overdub, matando um pouco a emoção da performance ao vivo. Os vocais aparecem bem destacados e têm muitos efeitinhos também, o que nem sempre funciona. “Scalinatella”, que é belíssima nos shows, ficou meio artificial, com um vocal meio debochado até. Não funcionou bem. Mas, tirando uma escorregadela aqui e ali, o disco é apaixonante. Tenho certeza que, após escutar a última faixa, a linda “Senza Fine”, você vai imediatamente voltar ao início do álbum e ouvi-lo mais uma vez.

Especula-se o lançamento de um DVD com um concerto na íntegra, incluindo algumas preferidas dos fãs que não entraram no disco, como “Storia D’Amore”, “Lontano, Lontano” e “Yeeeeeeh!”. Considerando que as apresentações contam com 22 canções, dá para imaginar que futuramente teremos um Mondo Cane II, incluindo as 11 músicas restantes.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s