O peso e o suingue do The Heavy

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por Cassiano Rodka

Desde que escutei o single “No Time”, fiquei bastante curioso para conhecer o som do quarteto inglês The Heavy. Mal sabia que estava prestes a encontrar minha nova banda preferida.

“No Time” traz um riff pesado e funky no maior estilo Led Zeppelin que se repete hipnoticamente sobre uma batida roqueira e dançante. Já é o suficiente para sentir o corpo balançar involuntariamente. Mas é quando a voz cortante e cheia de soul do vocalista Kelvin Swaby entra na mistura que o bicho pega de verdade e aí não tem volta: você está fisgado pelo The Heavy!

A banda nasceu em Noid, uma pequena cidade inglesa perto de Bath, cidade natal do vocalista. Kelvin Swaby cresceu em meio a dez irmãos e muito reggae, hip hop, two tone e Prince – influências claras no vocal e nas composições do cantor. Quando ele conheceu o guitarrista Dan Taylor, logo ficaram amigos, dividindo o gosto por rhythm and blues e pelos filmes de Jim Jarmusch. Juntos, formaram a base musical do The Heavy. A dupla compôs todo o material que deu forma ao excelente álbum de estreia “Great Vengeance and Furious Fire”, lançado em 2007 já com o baixista Spencer Page e o baterista Chris Ellul na formação.

O disco apresentou os dois primeiros grandes singles da banda, “That Kind of Man” e “Coleen”, duas boas amostras da mistura de rock sessentista, soul, jazz, funk, ska e pop do grupo. Algumas faixas ganharam espaço em seriados de TV, em especial na série “Entourage”, que já utilizou três músicas da banda em sua trilha.

No segundo semestre de 2009, a banda lançou seu segundo álbum, “The House That Dirt Built”, que conseguiu fazer mais barulho que o primeiro. O single “How You Like Me Now?” ganhou grande exposição em um comercial da Kia que foi ao ar durante o Super Bowl e a performance da música no programa de David Letterman foi tão intensa que o apresentador pediu que eles repetissem o número, algo que nunca havia acontecido antes.

O disco ainda conta com três ótimos singles: o agitado psychobilly de “Oh No! Not You Again!”, o jazzrock dançante de “No Time” e o soul safado de “Sixteen”, que sampleia com maestria a clássica “I Put a Spell on You” do Screamin’ Jay Hawkins. Na verdade, as músicas do álbum são tão boas que daria para imaginar perfeitamente cada uma delas ganhando um single e um videoclipe, desde o surf rock tranquilo de “Look Like That” (cantada pelo guitarrista Dan Taylor) até a belíssima balada “Stuck”, que fecha brilhantemente a seleção de músicas.

Ao longo do disco, novos ritmos aparecem na já vasta gama de estilos da banda: em “Long Way from Home”, o country aflora em uma deliciosa balada com direito a piano e riffs a la Jack White; “Short Change Hero” traz uma curiosa mescla de hip hop com toques do irresistível western de Ennio Morricone; e, por fim, o reggae é o tempero principal de “Cause for Alarm”, mostrando uma outra faceta do vocal de Swaby. Não há um só momento entediante durante a audição de “The House That Dirt Built”, o que faz do álbum um dos discos mais contagiantes que escutei nos últimos tempos.

Ao vivo, a banda não deixa nada a desejar. A simpatia de Swaby conquista facilmente a plateia e a excelente performance dos músicos garante a empolgação do público do começo ao fim da apresentação. Dá uma escutadinha e deixe-se encantar pelo inigualável som do The Heavy.

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