Para Mario Quintana

paramarioquintana
imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

“O poema
essa estranha máscara
mais verdadeira do que a própria face…”

“O poema”, Mario Quintana

Eu ia escrever uma crônica sobre algo que me surpreendeu ontem, quando percebi que eu tinha quatro aparelhos eletrônicos para carregar na mesma manhã: um celular, um Nextel, um Kindle e um laptop.

Achei este assunto extremamente chato e resolvi passar para algum outro que fosse prender a atenção de meus leitores de verdade. Quem se interessa em saber quantos aparelhos eu tive que carregar na mesma manhã?

Resolvi, então, tentar escrever um poema. Nada. E também, ninguém lê meus poemas, além do Cassiano, porque ele precisa editá-los, do meu marido e do meu filho, que dizem não entenderem nada, e do meu pai e da minha amiga Marcella, que realmente os apreciam!

Pensei em escrever um haikai. Nada.

Mas ainda pensando em haikai, surgiu-me a ideia. E minha ideia é Mario Quintana.

Desde “Pé de Pilão”, o primeiro livro que “me foi lido” na vida, por meu pai, admiro Mario Quintana e sinto como se ele pertencesse à minha família. E acho que não é exclusivamente minha essa sensação: Mario Quintana parece ser íntimo amigo de todos os seus leitores, e foi com esse jeitinho doce, creio eu, que se tornou ele um dos maiores poetas brasileiros.

No último Natal, ganhei de meu irmão um livro de Quintana recém publicado. É uma coletânea de alguns de seus haikais. Chama-se “O Livro de Haicais”. Lindo livro. Perfeito livro. Traduz um infinito em tão poucas palavras… Coisas de Mario Quintana.

O haikai é uma forma poética de origem japonesa e caracteriza-se por ser curto, curtíssimo: tem apenas três linhas. O que eu acho fantástico em (bons) haikais é justamente o fato de conterem tudo em quase nada de palavras. Pequenas pílulas mágicas de poesia.

Quintana foi um mestre na arte dos haikais. Nunca encontrei na literatura outro escritor que o fizesse melhor que ele. Creio que ele teria aprovado com gosto a seleção feita por Ronald Polito, pois os haikais se apresentam no livro como que encadeados, em uma harmonia melodiosa, como deve ter toda poesia. À medida em que se lê, quer-se ler mais. E mais, e mais. E quando termina, ainda fica aquela sensação de perda terrível… Acabou? Mas já…? Isso, prezados leitores, é boa literatura. Todo o resto é silêncio.

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