Viagem

viagem

por Marcella Marx

Minha viagem seria longa.
Busquei no armário a velha mochila
e nela decidi deixar de levar as ideias em preto e branco,
o mofo dos sapatos sem uso – peguei um só par, o que me levasse mais longe.
As mágoas e os rancores libertei-os todos do porta-jóias azul.
Criaram asas e nunca mais os vi.
Revirei as gavetas, já nada mais me servia.
Casacos apertados e calças alargadas.
Saí nua carregando meu pouco de sementes.
A primeira parada foi no topo de uma montanha,
lá de cima, larguei os gritos trancados no peito
e pude enxergar minhas perguntas do avesso.
Libertei-me dos óculos que embaçavam a vista
e dormi sob estrelas.
Chuva veio e regou minhas sementes
e a viagem rendeu flores.

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