Notícia

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por Clarice Casado

Acharam que tinha sido um infortúnio. Pura falta de sorte. Ou azar, mesmo. Ou até imprudência. Como preferirem. Eu sabia exatamente o que estava fazendo. Tinha segurança do que queria. Não tinha o menor juízo e, por certo, não tinha nem razão. Tinha, no entanto, um dose gigantesca de coragem. Tinha vontade. De sumir. Se você for ver bem, qual é a diferença entre o que eu fiz para o que todos fazem todo santo dia ao saírem para a rua? É dar a cara ao tapa: arriscar o pingo de chuva na roupa nova, a sujeira do cachorrinho no sapato, o tiro na cabeça. Me diz: qual é a diferença? Eu queria era ver o que havia depois da rebentação. Quem nunca teve curiosidade? Há os que ficam curiosos e loucos de vontade pelo resto da vida e há os que encaram. Toda aventura tem riscos. Ou não seria aventura. Eu paguei o preço por me arriscar. Paguei mesmo? Mas eu queria ir! Estou gritando, mas ninguém vai me ouvir. E estou pouco ligando. E não me venham dizer que não posso falar de amor e de morte. Do que mais eu poderia falar?

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