Cultura em Sampa para crianças – Parte I

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imagem: Clarice Casado

por Clarice Casado

Felizes nós, moradores da maior e mais culturalmente agitada do Brasil!

Na semana passada, no sábado, brindei-me com uma ida à Livraria Cultura com meus dois filhos. Motivo bem especial: Ziraldo, Ruth Rocha e Pedro Bandeira estariam fazendo um bate-papo com pais e crianças, por ocasião de um lançamento “coletivo”, uma caixa linda com três livros deles, parceria da Editora Melhoramentos com a Livraria Cultura: O namorado da fada ou O menino do planeta urano, do Ziraldo, A menina que não era maluquinha e outras histórias, da Ruth Rocha, e Papo de sapato, de Pedro bandeira, com ilustrações de Ziraldo. Na caixa vermelha super bem bolada, ainda vem uma camiseta roxa com uma das ilustrações do livro do Ziraldo.

Fui ao bate-papo principalmente pelo Ziraldo, de quem sou fã de carteirinha desde a infância. Lembro até hoje da minha primeira leitura do Menino Maluquinho, o livro mais lido e aclamado de Ziraldo. E não consigo esquecer de todas as vezes em que, já adulta, lendo Menina Nina, chorei as lágrimas mais verdadeiras de minha vida. Esta paixão pelo genial autor e ilustrador mineiro eu já tratei de passar aos meus pequenos. Ao sairmos de casa, meu filho segurava ansioso o seu Menino Maluquinho, enquanto a minha filha não largava de sua Dodó, impaciente, perguntando a cada minuto se o Ziraldo já tinha chegado.

No auditório bem lotado da Cultura do Shopping Villa-Lobos, sentia-se a euforia de crianças e adultos. Sei que o Ziraldo tinha parado em pleno shopping antes para tomar um cafezinho, porque, no elevador, um senhor que me viu com os meus filhos cheios de livros dele nas mãos me perguntou se ele ia autografar: o tinha visto cercado de fãs, tentando tomar um café…

O papo foi uma “delícia”, para usar o dialeto paulistano na sua mais “pura” forma… Os três autores, velhos amigos, pareciam estar na sala de casa. Ficaram um tempinho contando como começaram suas carreiras, falaram das dificuldades de cada um, coisa e tal. Comentaram um pouco sobre seus livros mais famosos, e deram até uma aulinha sobre “as dificuldades de escrever na época da ditadura militar”. Queria ter tomado notas para falar mais detalhes para vocês aqui, mas, como estava com as crianças, foi impossível.

Os três foram simpaticíssimos. Quando abriram para perguntas, um menino espevitado pegou o microfone e começou a fazer uns sons estranhos (seria uma pergunta dirigida ao Ziraldo). A mãe do guri pegou o microfone, e “traduziu”, “Ele quer saber se o Ziraldo acha ele parecido com o Menino Maluquinho”, e Ziraldo, super bem-humorado (sempre sorrindo), de pronto, “Mas é o próprio!”. A plateia, óbvio, caiu em risadas.

Meus filhos já estavam ansiosos pelo momento do autógrafo. Saímos um pouco antes do auditório e pegamos um primeiro lugar na fila, junto à mesinha preparada para os autores. Ficaram mega felizes.

Logo chegou o trio de autores, super sorridentes, mega simpáticos. Ziraldo foi logo vendo a minha filha, “Coisa mais bonitinha, olha esse pequenininha, Ruth!”, e perguntou o nome dela, ele respondeu, exibida, e ele, “Que nome lindo!”. Faz uns autógrafos super diferentes, com uns desenhos nas letras, ele é o máximo! Eu segui pedindo um para mim: levei Menina Nina, que é a coisa mais sensível e pungente que já li sobre a morte. Nada como os olhos de menino de Ziraldo, para falar de mansinho sobre assunto tão penoso. Eu disse, “Este é para a mãe da Angelina”, e ele “Ah, você?”, e escreveu um “Clarice” com um “C” todo enrolado, como se fosse um caracol. Eu vibrava por dentro, como uma criança deslumbrada! Não ligo nada pra celebridades de TV e cinema e essa besteirada toda, mas me derreto frente a um gênio literário como Ziraldo. Sinto que meus filhos estão a seguir pelo mesmo caminho. Depois, foi a vez do meu mais velho, entregou meio tímido o seu Menino Maluquinho, e o Ziraldo, “Este também é seu?”. Fiquei em dúvida se ele estava a falar do meu filho ou do livro, já que levamos tantos!

Ainda pedimos autógrafos nos livros que estavam sendo lançados no dia, claro. Igualmente, muito gentis e simpáticos, Ruth Rocha, animadíssima, e Pedro Bandeira, que brincou com meu filho “Vito, de Vito Corleone!”, e eu confirmei a inspiração do nome, enquanto meu filho sorria, todo felizinho.

Tiramos algumas fotos, e aproveitamos muito bem o momento. Saindo da fila, ficamos meio que de lado assistindo aos outros autógrafos: meus filhos não queriam ir embora. Expliquei depois a eles a importância daquilo, daquele encontro, daquele contato, daqueles autógrafos, do valor afetivo daqueles autógrafos dos autores nos livrinhos.

Nada mal para uma tarde de sábado comum. Felicidade sem custo. Cultura ao alcance fácil das mãos. E do coração.

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