A outra margem

outramargem.jpg

por Marcella Marx

Saiu de casa com intenção clara:
Ver o avesso
No primeiro passo sua espinha já lhe zunia:
– menino…
Não ouviu, foi pra bem longe,
o mais que seus pés podiam alcançar.
E eles o levaram norte.
Balão solto ao vento.
– Volta menino…
Ele ouvia por toda a parte.
Que nada, teimava e avante ia.
Embrenhado em matas, atravessando pontes,
dia aqui, outro acolá.
– Quanto maior a subida, menino…
Dizia-lhe o vento.
Mas ele tinha os pés firmes no chão.
Tombava não.
À noite, chegou a rio largo e fundo
e por ele quis passar
– olha lá, rio é traiçoeiro menino, pra que arriscar?
Respirou fundo e pulou.
Jamais o viram.
Mas palavras ressoaram ao vento:
– Menino encontrou o que procurava.

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