Música de montar: Owen Pallet em POA

finalfantasy

por Cassiano Rodka

Um violino, um teclado e um sampler. Com esse modesto arsenal, Owen Pallet subiu ao palco do Átrio no Santander Cultural para apresentar aos gaúchos o seu projeto Final Fantasy. Devido a sua participação como violinista nas bandas Arcade Fire e Beirut, o canadense atraiu um público, no geral, indie, que lotou a sala para assisti-lo. Mas o som do Final Fantasy segue um caminho bem diferente do escutado nos álbuns dessas duas bandas, uma via com muito experimentalismo musical.

O violinista constrói suas músicas ao vivo, sampleando os instrumentos que toca. Em “The CN Tower Belongs to the Dead”, por exemplo, ele primeiro sampleia uma sequência de acordes no teclado para depois pegar o seu violino e acompanhar a melodia em loop. Seu violino, por sua vez, tem algumas linhas sampleadas por meio de pedais que o compositor aciona enquanto toca e canta. O vocal também é sampleado em algumas canções, como a bela “Many Lives -> 49 MP”, em que Owen grita dentro do violino, gravando sua voz que repete no momento exato em que ela completa o vocal principal. Eu sei, tudo muito louco e difícil de imaginar, por isso recomendo uma espiada no vídeo abaixo, gravado por Miguel Schertel no show aqui em Porto Alegre:

Em “Song Song Song”, Owen Pallet explora ainda mais a versatilidade de seu instrumento, batucando em seu violino para criar uma percussão. Os sons são sampleados e é em cima desse loop que ele toca a melodia da música. Um pedido por “No Cars Go”, do Arcade Fire, surge e Owen diz não saber cantar a letra. Depois pensa melhor e concorda em tocar a canção, mesmo com possíveis erros, e ainda brinca “ninguém aqui me conhece mesmo”. Fato é que ele sabia a música de cor e não errou, acho que estava só fazendo um charminho. O resultado foi uma bela versão light registrada aqui pelo Miguel Schertel:

O som do Final Fantasy é bem particular, são melodias delicadas criadas para explorar as mais diversas formas do compositor utilizar o seu instrumento. Mas a grande experiência está mesmo em assisti-lo ao vivo. Escutei os dois álbuns do Final Fantasy após o show e confesso que apesar de achá-los muito bons, não passam toda a complexidade e dramaticidade de ver o compositor construindo cada melodia na sua frente, como uma criança que vai descobrindo aos poucos maneiras criativas de usar os seus cubos de Lego.

Mas não me entendam mal: Vale – e muito! – a pena ir atrás dos álbuns e EPs do Final Fantasy (em especial o recém lançado “Plays to Please EP”, que tá no capricho) e, se algum dia aparecer a chance de conferi-lo ao vivo, não percam a oportunidade!

Para os porto-alegrenses, aviso que, todo domingo, o Santander Cultural tem promovido shows bacanas no Átrio (entrada pela Siqueira Campos, 1125). Eles começam sempre às 17h e contam com as mais diversas atrações, desde músicos locais até internacionais. Os preços são super acessíveis, muitas vezes sendo a entrada franca. Então fiquem ligados na programação!

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