Uma barata chamada Ween

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por Cassiano Rodka

Uma das minhas bandas preferidas é o Ween. Trata-se de uma dupla de irmãos (fictícia – na verdade, eles não têm nenhum parentesco) que compõem juntos desde os 14 anos de idade. Juntos, eles lançaram os discos que têm a maior diversidade de estilos que este mundo já ouviu – ou deixou de ouvir. Nos primeiros álbuns, Gente e Dean Ween usavam baterias pré-gravadas tosquíssimas como base e as acompanhavam com guitarra e baixo. Os vocais eram distorcidos e as letras versavam sobre os mais bizarros assuntos, desde piolhos até mononucleose. Claro que também havia espaço para canções de amor, como a ingênua “Don’t Laugh (I Love You)” e a romântica “She Fucks Me”.

Com o tempo, a banda foi amadurecendo – que termo bem xarope, né? – e os dois discos mais recentes dos caras, “White Pepper” e “Quebec”, mostraram-se um pouco mais “sérios”. Com o lançamento de “La Cucaracha”, o Ween parece ter chutado o balde e assumido o seu lado debochado e despretensioso novamente. O resultado é um álbum bastante divertido, onde clichés são usados como suporte para criar músicas originais.

O disco abre com a instrumental “Fiesta”, que parece a trilha de abertura de um seriado que conta a história de um mexicano que resolve se aventurar em Las Vegas. Um excelente começo! A segunda faixa talvez não tenha sido a melhor escolha para seguir o agito de “Fiesta”, pois “Blue Baloon” dá uma quebradinha e baixa o ritmo em um rockzinho com uma sonoridade bem clássica da banda, uma levada simpática e até meio boba, com efeitos bizarros de teclado e dedilhados de guitarra limpinhos. A terceira faixa foi a primeira música escolhida para representar o disco. Em julho, “Friends” havia sido lançada em um EP junto com outras 4 faixas inéditas para dar um gostinho do que viria por aí. É uma música especialmente inusitada, pois é um eurodance anos 90. Sim, um dance 90! É inacreditável e certamente pegou muito fã de surpresa. Me pegou completamente de surpresa! Mas como sou um simpatizante do gênero – pois acho que não tem música bagaceira como a dos 90 -, achei o resultado divertidíssimo! Tudo o que foi feito de melhor e pior dos anos 90 merece respeito. Pois bem, uma das palavras mais usadas pelo Ween em toda sua discografia é “friend” e, no refrão de “Friends”, eles resolveram se puxar: “A friend is a friend who knows what being a friend is”. Completamente retardado!

Dois gêneros musicais reincidentes da banda estão presentes também em “La Cucaracha”: o bom e velho country do Ween aparece em “Learnin’ to Love”, com um solo eletrônico maluco cheio de vocais sintetizados, e o reggae ganha seu espaço em “The Fruit Man”. Dean Ween, o guitarrista, assume os vocais na pesada “With My Own Bare Hands”, mostrando o lado mais agressivo da banda. Em “Sweetheart”, ele retorna ao microfone com um rock que poderia estar num disco do Eric Clapton – mas com uma letra menos pornográfica, é claro. “Shamemaker” é uma das faixas mais bacaninhas, um punkzinho com sotaque inglês que imagino que vá ser uma das queridinhas do público nos shows ao vivo. Mas o grande destaque mesmo fica para a última faixa, “Your Party”, um clássico instantâneo, com saxofones a la “Careless Whisper” e cantada por um marido que agradece – junto à sua esposa – a maravilhosa festa dada por um amigo. Não é uma festa comum, não, preste atenção na letra… Uma boa ideia, aliás, para escutar esse disco: convidem os vizinhos, aumentem o volume e caiam na fiesta!

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