Sou eu

soueu
imagem: Cassiano Rodka

por Cassiano Rodka

Eu sou aquele que passa na rua. Meu passo se aperta porque estou surgindo em letras, derramando-me pelos cabelos. Sinto que estou escorrendo pelos ombros e quero chegar lá antes que me perca. Eu sou o moço da banca de revistas e a atendente da livraria estudantil. Estou na parada de ônibus, esperando. Sou eu no letreiro do lotação. Sou eu no botão da sinaleira e sou eu descendo a lomba, feliz por me ver saindo pelos poros, vertendo nanquim pelos dedos. Eu sou cada pegada e sou o caminho. Sinto cada soco das palmas dos meus pés no peito. Queira eu que chegue antes de me esfolar pelo asfalto e escorrer pela sarjeta. Eu sou o rumo verdadeiro e a estrela polar. Uma bússola que aponta para onde sou. Entre os restos do fim do expediente e os primeiros minutos da noite, sou eu. Eu sou cada palavra que verte da minha testa e se esparrama pelo chão. Sou eu quem pisa afoito em cada uma delas, querendo carregar na sola do pé cada sílaba, cada feto de ideia. Sou eu aqui nestas palavras e, aqui, serei sempre eu. E ninguém mais é. Mesmo. Só eu sou eu.

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