Geração Princesa

geracaoprincesa

por Clarice Casado

Você já viu, sem dúvida. Aquelas coisinhas pequeninas com vestido rodado de seda e tiara brilhante. Estão por toda a parte, cor-de-rosa desde o brinco até o sapato brega. Ruas, parques, escolas, shoppings, festinhas de aniversário. São as meninas-princesas. Me deixam louca. Não posso ver aquilo. Faz tempo que fico revoltada. Achei que era só eu. Mas não. Ontem, vi um episódio de Mothern, a bem bolada e inteligente série sobre a maternidade moderna, inspirada no blog do mesmo nome, criado por duas publicitárias mineiras. Numa cena da série, a mãe fala pra filhinha, de uns cinco anos, toda vestidinha de princesa, “Filha, às vezes o Príncipe Encantado não vem. Vai se acostumando”. Assim, naturalmente, jogou aquele frase na pequena, que olhava decepcionada. E eu pensei, “Tá aí, fecho de maneira absoluta com esse pensamento!”.

Estamos criando uma geração de pequenas princesas, mas não estamos criando os príncipes. Existe príncipe sem princesa? Ok, até pode existir, mas, geralmente, nos contos de fadas, as pobres coitadas das princesas sempre esperam a chegada do príncipe…

Certo, certíssimo, mas cadê os diabos dos príncipes aqui, na realidade nua e crua da vida?? Não existem, porque os meninos que criamos são Homens-Aranha, Super-Homens, X-Men, e esses heróis todos. Concordo que são bravos, como de regra são também os príncipes, mas são muito mais másculos, bélicos, fortes, não têm nada da carinha de Brad Pitt dos príncipes em geral, aquela delicadeza sutil dos príncipes, aquela poesia no olhar (eca!!!).

O ponto é simples: não dá para imaginar a Cinderela sendo beijada pelo Homem-Aranha, certo? É meio ridículo. Não estou aqui dizendo para impedirmos que as meninas leiam ou vejam contos e filmes de fadas, isso seria absurdo. Mas, incentivar a compra de indumentárias completas de princesa, sou contra!

Poxa vida, por que elas não podem ser super-heroínas? Destemidas , independentes, femininas sem serem feministas (sim, por que não?). O problema é que você vai tentar comprar uma fantasia de super-heroína e não acha, de jeito nenhum! Porque os anunciantes e fabricantes só querem vender roupa de princesa! Só querem fazer roupa de princesa! Só querem que nossas meninas continuem vivendo na ilusão de achar que um dia serão princesas… Sem príncipes, coitadas. Pretendem que se tornem (ou se mantenham) frágeis, delicadinhas, incapazes de atos de bravura, só para que eles super-heróis magníficos, continuem sendo os únicos seres “superiores” sobre a Galáxia!

Pois eu, indignada que sou com isso tudo, comprei outro dia uma bonequinha pra minha filha no aeroporto, meio com pressa, voo quase saindo, e a coisinha loirinha tinha uma tiara – tiara, sinônimo de princesa – não tive dúvidas, arranquei a tiara na hora, dizendo, “Filha, olha, ela não é mais uma princesa. É uma menina normal, como eu e como você”. Ela nem deu bola, pegou a boneca, toda contentinha. Além disso, dei-lhe uma fantasia de Homem-Aranha que era do meu mais velho, porque ela queria porque que queria ser o “Aranha”, como disse em seu português ainda arranhado. E é claro que eu não achei nada de fantasia de heroína em loja nenhuma, portanto, ela teve que contentar-se mesmo com a do irmão. Toda feliz ficou, fazendo dupla com o mano grande, no maior orgulho…!

Assim, crio hoje o movimento, “Cansei das Meninas-Princesas”, quem quiser que me acompanhe! E traga junto sua fantasia de super-heroína (ou de super-herói), porque, confesso, acho meio difícil acabar com a multidão de princesas sozinha…

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