Tecnofagia

tecnofagia

por Clarice Casado

Tinha plena certeza de que aquela máquina tinha alma. Tinha humores. Trabalhava quando queria. E reclamava se não gostava de algo que nela se fazia. Era isto. Era um ser. E ele sabia muito bem. Sentia até um pouco de medo. Não sabia como o bicho acordaria na manhã seguinte. Mas seguiu assim, vivendo com ela, porque às vezes era mais fácil acomodar-se do que trocar tudo, assim, de uma hora pra outra. Só que aos poucos foi reparando nela coisas novas. Notou que tinha olhos. Nele cravados, noite e dia. Passou a reparar que tinha ouvidos. Aguçados. Foi só quando chegou bem mais perto, que percebeu que ela tinha boca. Tarde demais: foi engolido.

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