O Carnaval começa agora!

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por Cassiano Rodka

O Carnaval começa agora! Pelo menos se depender da Orquestra Imperial.

O grupo lançou recentemente seu primeiro álbum, “Carnaval só ano que vem”, com um arsenal de músicas próprias na medida certa para garantir a festa de qualquer folião.

A Orquestra Imperial formou-se em 2002 com o objetivo de tirar pó de alguns clássicos da música brasileira. Os músicos e produtores Berna Ceppas e Kassin decidiram montar uma banda com vários nomes da cena carioca para interpretar as canções de forma despretensiosa, tudo em nome da mais pura diversão. Com uma seleção marota de sambinhas de gafieira, a banda subiu aos palcos cariocas e trouxe a dança de salão de volta aos holofotes. Dançar juntinho, cantar com animação, se divertir sem pensar no dia seguinte, esses são os ingredientes essenciais de um show da Orquestra. Ao vivo, a formação da banda varia, contando com nomes como Moreno Veloso, Domenico Lancelotti, Thalma de Freitas, Rodrigo Amarante, Nina Becker, além de abrir espaço para grandes convidados, que já incluíram Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Marcelo Camelo e DJ Marlboro.

Em fevereiro deste ano, a Orquestra lançou um EP homônimo com quatro músicas de seu repertório. O disco era vendido apenas nos seus shows e trazia quatro versões para hits costumeiros das apresentações da banda: iniciando com a excelente interpretação de Thalma de Freitas para “Me deixa em paz”, seguindo com um medley contagiante que iniciava ao passo de “Sem compromisso” na voz de Moreno Veloso e chegava aos finalmentes com a excelente interpretação de Amarante para “Obsessão”. A última música era a divertida instrumental “Popcorn”, dando um gostinho do que viria no disco de estreia.

Com “Carnaval só ano que vem”, a banda apresenta seu repertório de músicas próprias, deixando claro que tem uma voz só sua. O disco inicia com “O mar e o ar” trazendo Rodrigo Amarante nos vocais e uma inegável sonoridade Los Hermanos. O belo arranjo conta com guitarras havaianas e um lindo backing feminino no maior estilo Ennio Morricone. O climinha praiano e despreocupado dá o tom do álbum. A partir da segunda faixa, Thalma de Freitas se destaca com seu vocal forte e doce. Em “Não foi em vão” e “Rue de mes souvenirs”, a voz de Thalma brilha. Os músicas da velha guarda do samba dão o ar da graça em faixas que deixam clara a iniciativa de misturar as raízes do samba com a música eletrônica. Em “Era bom”, o baterista Wilson das Neves (que toca há anos com Chico Buarque) faz um dueto com Max Sette cantando com aquela boa dose de malandragem dos grandes sambas. As influências caribenhas surgem na marotice de “Yarusha Djaruba” e “Ela rebola” que animam qualquer carnaval. A surpresa fica por conta da canção “De um amor em paz”, um sambinha tranquilo e com um pezinho no experimental, composto por Domenico e Délcio Carvalho e cantado belamente por Nina Becker. E é ela quem comanda a folia na última faixa do disco, um samba roqueiro que soa como o encontro dos Mutantes com Gal Costa. A música ainda conta com um divertido discurso sobre o amor dado por ninguém menos que Jorge Mautner. Se você chegar até aqui sem se divertir, cuidado: ou você é ruim da cabeça, ou doente do pé.

Só espera pelo Carnaval quem quer.

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p.s.: Aos fãs do filme “Um convidado muito trapalhão” (The party), uma curiosidade: um instrumento chamado “Birdy Numnum” é usado nas músicas “De um amor em paz” e “Supermercado do amor”. 😉

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