Gaulista

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por Clarice Casado

Sampa, te apresento minha essência: sou gaulista. Aqui, nesta terra tão querida, há dez anos, tive a acolhida mais acolhedora que um “estrangeiro” poderia sonhar em ter.

Sinto-me, hoje, impregnada de São Paulo até a minha alma. Minha alma gaúcha de nascimento e de coração, que se abriu totalmente à força avassaladora da metrópole dos bandeirantes. Que se abre de maneira tão absolutamente contundente, que nem eu mesma compreendo bem ainda. Mas sei que meu corpo respira os dias e noites intensos da cidade cinza, da cidade que – sim, esta sim – nunca dorme. Circulo por estas ruas e avenidas como se minhas fossem. Sou tua dona, soberana, rainha. Te comando. Te controlo. Te arrebato. São Paulo abre-se para mim, toda bela, revela seus segredos: só para mim. Transforma-me em confidente: só eu sei o que sei sobre ela. Só ela sabe o que se passa em mim. Mergulha em minha alma e retira a menina do pampa. Retira a menina do pampa e diz, “vem comigo, este agora é o teu lugar”. E me coloca no colo, me aconchega e me canta uma canção de ninar: “Alguma coisa acontece no meu coração/Sempre que cruzo a Ipiranga e a avenida São João…”.

Sampa, me deixa ser tua. Me deixa ser tua no outono, com tuas árvores jogando folhas… Me deixa ser tua no inverno, com tua garoa miúda… Me deixa ser tua na primavera, com teus ventos ventantes… Me deixa ser tua no verão, com tua brisa noturna suave… Me deixa ser tua. Faz de mim tua amada. Para sempre.

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