Minha batyan

minhabatyan

por Marcella Marx

À Rosa

Tempo inquieto, mãos cansadas.
Quarenta anos num lampejo.
Ágeis mãos, pelo tempo e pelo vento esculpidas.
Formas calejadas: escultura realista.
Também mãos do acalento, que confortam.
E firmes nos sustentam quando, quase sem forças, caminhamos.
Mãos que creem através de nós e a nós doam sua história.
Sábias aprendizes cuja última lição é o desapego.
Dolorosa compreensão.
Mãos que tecem em sua busca incessante pela eternidade.
Tecido de fibras entrecruzadas e mais uma vez…
Por cima, por baixo, a malha vai sendo,
enquanto criam a si mesma.
Capturado entre os fios está aquele para o qual faltam palavras.
E o calor desperta a resposta e aquece além do corpo:
“Deixa, agora é minha vez de tecer”.

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