Mommying – a arte de ser mãe

mommying
imagem: Cassiano Rodka

por Clarice Casado

À Beatriz (minha Mãe, quem começou tudo isto),
à Mimi (minha mãe em Sampa, que um dia resolveu inventar a Nicole),
à Cris (responsável pelos nascimentos deste texto e do Giovanni) e
à Ju (que está prestes a dar a este mundo o Bento)

A verdade é a seguinte: nunca pensei sobre a ideia de ser Mãe até o dia em que me tornei uma. E, acredite se quiser, você se torna Mãe no exato dia em que descobre estar grávida. Mesmo que você não perceba. Eu não percebi, mas eu já era Mãe quando fui à clínica médica para um exame de ultrassom de rotina e o cara de jaleco branco disse, “No geral está tudo bem, mas você está grávida, menina!”.

Sou Mãe há sete anos já e ainda enlouqueço com isso! Eu nunca passo um dia sem pensar, “Será que estou fazendo tudo certinho?”. E então eu percebo que esse é o tipo de preocupação que eu não deveria ter, ora, é claro que estou fazendo a coisa certinha, ou meus filhos não seriam tão felizes.

A Mãe perfeita não existe. O ser humano perfeito não existe. Às vezes sinto-me tão “não perfeita” como Mãe, e, ao mesmo tempo, fico muito contente quando meu filho me diz, “Mamãe, você é muito mais legal que as mães dos meus amigos!”, e isso basta para que eu fique toda felizinha, sorrindo à toa e pensando, “Nossa, sou o máximo!”.

Sou uma grande amiga dos meus filhos. Sou a amiga que está lá quando eles precisam. Mas, ao mesmo tempo, sou a amiga que estabelece as regras. Regras são essenciais para crianças, todos sabemos disso. Mas, acima de tudo, a maneira pela qual se estabelecem as regras é a coisa mais importante sobre ser Mãe e educar.

A melhor coisa sobre escrever este texto foi que eu realmente parei para pensar sobre o que é ser Mãe, não apenas para mim, mas para todas as mulheres que conheço e que não conheço. Para todas as mulheres. Desse modo, decidi chamar essa fantástica e criativa e maravilhosa Arte (sim, por que não?) de MOMMYING: A ARTE DE SER MÃE. Não encontrei tradução satisfatória para essa expressão, portanto, preferi manter a expressão original em inglês, acrescentando um “explicativo”. Escrevi este texto originalmente em inglês, a pedido de uma amiga que participa de um grupo de debates que envolve mulheres de diferentes idades, na sua maioria estrangeiras, todas mães ou prestes a tornarem-se mães. O texto foi apresentado ao grupo por minha amiga, e fez um imenso sucesso entre as “Mommies”!
Então, lá vai!

MOMMYING é tentar ter uma vida “normal” enquanto seu corpo está com a forma de um boneco do Garfield, você sente vontade de vomitar e arrotar o tempo inteiro e não consegue colocar os sapatos sem ajuda de outros…

MOMMYING é passar nove meses com pouquíssimas xícaras de café, sem nenhuma bebida alcoólica e nadinha de sushi, e ainda assim sentir-se maravilhosa e abençoada!

MOMMYING é ir de um tamanho 36 para um 40 durante a gravidez sem sentir muita culpa por isso…

MOMMYING é amamentar, trocar fraldas, dar chupeta, dar banho, passear de carrinho, preparar mamadeiras e sopinhas, tirar a febre, dar remédio, brincar de esconde-esconde, cantar canções de ninar, levar ao parquinho, contra histórias pra dormir, carregar muito peso e mais milhões de outras coisas terminadas em “ar” que você possa imaginar…! E fazer tudo de um jeito muito feliz: acredite se quiser!

MOMMYING é ter o direito de reclamar, de gritar, de berrar, de chorar, mesmo quando não se está passando pela T.P.M.!

MOMMYING é sentir-se encurralada porque você passa a maior parte do tempo presa às crianças e, ao mesmo tempo, sentir-se livre por poder voltar a ser criança, junto com seus filhos.

MOMMYING é não dormir bem pelo resto da sua vida, e, quando finalmente pegar no sono, ainda sonhar com as crianças…!

MOMMYING é dividir uma maçã com dois filhos famintos e ainda pensar, “Ah, eu estou sempre de dieta mesmo…”.

MOMMYING é ser capaz de repetir muitas e muitas e muitas vezes as mais variadas ordens até ficar cansada da própria voz!

MOMMYING é jamais conseguir fazer uma refeição completa até que seu filho tenha, ao menos, três anos de idade! E mais uma vez pensar, “Ah, mas que coisa boa pra minha dieta…”.

MOMMYING é jantar em uma cozinha na penumbra apenas porque o seu mais velho resolveu brincar de esconde-esconde no escuro às nove horas da noite!

MOMMYING é ter uma terrível dor de estômago e ainda assim tomar conta do seu bebê doente no meio da madrugada, sabendo que tem que acordar às seis e meia da manhã seguinte para levar o filho mais velho para a escola…

MOMMYING é ser capaz de falar, andar, ouvir, cantar, dançar, sorrir, colocar maquiagem, fazer exercícios, escrever, dirigir, usar a Internet, gritar, ler, cozinhar, estudar, comer, beber, trabalhar, chorar e tomar banho ao mesmo tempo, e ainda ter um tempinho livre para ver um pouco de TV!

MOMMYING é saber todos os nomes de todos os filmes e desenhos e series de TV para crianças, e também todos os seus personagens e características pessoais!

MOMMYING é puxar o rabinho de um Coelho da Páscoa gigante somente por ter apostado com seu filho que você o faria!!!

MOMMYING é ser a melhor contadora de histórias de todos os tempos e, ao mesmo tempo, a mais perfeita “ouvinte de histórias”…

MOMMYING é permitir que seu filho vá ao acampamento da escola, mesmo estando morta de medo de ficar longe dele…

MOMMYING é tentar responder cada pergunta embaraçosa dos pequenos, e ainda assim ser capaz de dar um monte de risadas da situação!

MOMMYING é esconder alguns sentimentos e ao mesmo tempo demonstrar profunda e completamente outros.

MOMMYING é a mais bela Arte de todos os tempos. Têm muita sorte aquelas que são capazes de fazê-la excepcionalmente bem. Com amor. Carinho. Paciência. Dedicação. Amizade.

APROVEITEM, gurias sortudas!!!

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