Tudo

tudo

por Cassiano Rodka

Tem vezes em que a gente olha em volta e crê que tudo é um saco! É tudo chato, repetitivo, batido, datado. E a gente se pergunta quando isso tudo vai acabar de uma vez por todas, e mais: afinal para que tudo isso, por que estamos aqui? E a resposta não vem. Não nesses dias, ao menos. Ela chega naquelas outras vezes. Nos dias em que a gente acorda com vontade de fazer tudo, de ler todos os livros, ouvir todos os discos e assistir todos os filmes. Mergulhar nas mais diversas culturas e inventar uma nova. Ou três. Conhecer todas as partes da Terra, explorar cada canto, compreender cada credo, cada ritual, ter todas as religiões. Não ter nenhuma. Ir a todos os shows e todas as festas, divertir-se por completo das mais variadas maneiras que há para se divertir. Conhecer todas as pessoas bacanas de todas as partes da Terra. Fazer sexo com aquelas especiais. De todas as formas possíveis. E das impossíveis também. Ler cada palavra escrita, escutar o som de cada instrumento, ver tudo que o olho puder tocar. Aprender tudo, compreender tudo e ensinar. E aí o tempo parece curto. E a vontade é de torcer os ponteiros dos relógios, entupir as ampulhetas, impedir o tempo de correr tão rápido e a gente sempre atrás. Estamos sempre atrasados. Para tudo. Mas nesses dias, tenho a impressão de que alcanço o tempo, que engano o passar das horas por alguns preciosos instantes. E compreendo tudo. E me vem uma vontade gigantesca de estender o braço e segurar o mundo inteiro com uma mão. Depois dar-lhe uma mordida na parte mais carnuda. Engoli-lo por inteiro. Não ser apenas parte dele, mas fazer ele parte de mim.

E isso é tudo.

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