Um norueguês em Porto Alegre

por Cassiano Rodka

erlendoye
imagem: Cassiano Rodka

Quando a notícia de que um músico norueguês vai tocar em Porto Alegre chega aos ouvidos dos moradores daqui, a primeira reação é, invariavelmente, de desconfiança. Ao ouvir falar que o show vai rolar no Instituto Goethe e que os ingressos serão vendidos na Lancheria do Parque… muita incerteza. Mas às vezes somos felizmente surpreendidos pela confirmação de que um músico bacana como Erlend Øye vai realmente dar as caras numa apresentação para apenas 150 pessoas.

O show teve início às 22h da terça-feira do dia 30 de janeiro. O cantor e compositor norueguês entrou no palco, pegou seu violão e fez uma introdução do que seria o show: um repertório abrangendo seu trabalho solo, músicas de suas bandas (Kings of Convenience e The Whitest Boy Alive) e algumas covers. Pegou seu violão e desajeitadamente se preparou para tocar a primeira canção. Problemas no cabo do violão elétrico, mexeu nos botões, produziu estrondos nas caixas. “Nossa, acho que essa não é uma boa maneira de começar um show”, declarou sorrindo. Extremamente simpático e despretensioso, Erlend Øye tocou suas músicas intercalando-as com diálogos espontâneos com o público. “Vocês podem pedir músicas que querem ouvir… Mas não agora, mais tarde”, brincou logo no início. A primeira cover da noite foi a fofa “Thirteen” da banda Big Star.

O cantor teve alguns problemas de comunicação com o responsável pelo som do local, que aumentava o som quando ele pedia para baixar, baixava a luz quando ele pedia para aumentar e vice-versa. Mas nada prejudicou o bom humor do moço. Mesmo quando seu microfone começou a cair enquanto tocava uma cover de “Jealous Guy” no piano, o compositor improvisou trocando a letra original de John Lennon por frases como “meu microfone está caindo / mas eu continuo a cantar / mas meu pescoço está começando a doer…” Risos e aplausos. Um dos destaques da noite, como não poderia de ser, foi a bela “Toxic Girl” do seu projeto mais conhecido, o duo Kings of Convenience. Erlend Øye ainda presenteou a plateia com duas canções inéditas. Uma delas, segundo ele, foi tocada pela primeira vez para um grande público. Falou sobre a Noruega, deixou o público lhe fazer perguntas e aceitou sugestões. Tocou a música “Don’t Give Up” do seu novo projeto, The Whitest Boy Alive, a pedido de uma fã na primeira fila e lhe perguntou: “Como você conhece essa música se ela ainda não foi lançada no Brasil? Baixou da internet, né?”. Riu e continuou: “Tudo bem, esse álbum ainda não foi lançado aqui, então não tem problema”. Depois de quase uma hora, deixou o palco se despedindo abaixo de decepcionadas onomatopeias: “Aahhhhh”. Voltou rindo e perguntou: “Vocês nunca foram num show? Vocês não sabiam que isso ia acontecer?”.

Deu início ao bis anunciando que tocaria uma música em norueguês, filmei alguns segundos. A música encaixou numa velha conhecida, “Boys Don’t Cry” do The Cure.

Deixou o palco mais uma vez e foi chamado pelo público novamente. Voltou anunciando que havia um menino na plateia que estava de aniversário e não havia conseguido comprar ingresso, então ele o tinha liberado para assistir o show. Convidou todos a cantarem “Parabéns a Você” para ele e para os dois pais do compositor, que também fariam anos em datas próximas. Mas havia uma condição: “Não quero que cantemos em inglês, porque o ‘Parabéns’ americano é muito chato. Vamos cantar em norueguês!”. A plateia acompanhou a cantoria animada com palmas.

Acenou para a galera e retirou-se. Na saída, quem ficou pelo bar trocou umas palavras com o simpático norueguês. Um belo show, despretensioso e divertido, que vai ficar na memória de quem esteve lá. Que mais surpresas como essa venham à Porto Alegre!

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