O novo jazz

por Cassiano Rodka

Foi-se o tempo em que o bom jazz só encontrava espaço nos guetos de New Orleans. O novo jazz está surgindo em lugares inesperados, como a Noruega, a Polônia e o Brasil. Ele surge abraçando as novas tecnologias. As bandas usam sintetizadores, samplers e efeitos digitais. Velhas canções transformam-se me matéria-prima para DJs reinventarem o estilo. O jazz sempre foi aberto à experimentações e atualmente ele está sendo moldado pelas mãos de talentosos jovens artistas. A gravadora Ninja Tune têm apadrinhado alguns dos melhores nomes do gênero e eis os dois que merecem atenção imediata:

Jaga Jazzist
O grupo norueguês Jaga Jazzist é formado por 10 músicos, o que certamente deve ser um grande problema na hora de marcar ensaio. Por outro lado, a diversidade de influências é enorme e isso se reflete na música. O resultado é um jazz experimental com elementos da música eletrônica e do indie rock. Os instrumentos usados pela banda incluem um trompete, um trombone, uma guitarra, um baixo, uma tuba, dois clarinetes, um piano Fender Rhodes, um vibrafone e diversos aparatos eletrônicos.

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A banda se formou em 1994 na cidade de Tonsberg na Noruega com o nome de Jævla Jazzist. Alguns integrantes tinham apenas 14 anos, incluindo o principal compositor da banda, Lars Horntveth. Lançaram seu primeiro álbum em 1996 com o nome de Grete Stitz – um possível trocadilho com “Greatest Hits”. Após mudarem o nome para Jaga Jazzist, gravaram alguns EPs e lançaram em 2001 “A Livingroom Hush”. O álbum foi bem recebido pela crítica e vendeu 15000 cópias só na Noruega. Foi o suficiente para chamar a atenção da gravadora Ninja Tune, com quem assinaram contrato e passaram a lançar discos com distribuição internacional. A banda entrou em turnê e, pelo que se sabe, nunca mais parou. O Jaga Jazzist é conhecido por suas turnês extensas que chegam a incluir semanas inteiras de shows, de segunda a domingo, sem tempo para descanso.

Em 2002, a fama se alargou pela Europa graças à turnê e ao novo álbum, “The Stix”, nomeado pela BBC como o melhor disco de jazz daquele ano. “The Stix” apresentava o som da banda mergulhado mais profundamente no mundo da eletrônica, com batidas quebradas e sintetizadores entrando em perfeita harmonia com os metais da banda. Em 2005, eles voltaram com um novo álbum: “What We Must”. Dessa vez, o som característico da banda veio imerso em influências roqueiras. Várias camadas de instrumentos formando uma grandiosa massa sonora, como se o Miles Davis fizesse uma jam com o My Bloody Valentine. Recentemente, o trompetista Mathias Eick ganhou o prêmio de Novo Talento no IJFO International Jazz Award, premiação organizada pela International Jazz Festivals Organization que intenciona impulsionar a carreira de novos músicos dando aos vencedores uma turnê internacional por conta da casa. Nada mal, hein? Quem sabe eles não aparecem por aqui?

Para conhecer mais dos caras, visitem a página deles: http://www.jagajazzist.com

Amon Tobin
Nascido no Rio de Janeiro, Amon Adonai Santos de Araujo Tobin mudou-se para Londres ainda jovem. Interessou-se pelo mundo da música e, depois de aprender a tocar alguns instrumentos, resolveu assumir as picapes e tornar-se um DJ. Para sua primeira gravação, escolheu o pseudônimo Cujo, tirado de um livro de Stephen King. O álbum “Adventures in Foam” veio carregado de samples de jazz, mas ainda estava longe do que seria o som característico do DJ. Optando por assinar como Amon Tobin, lançou em 1997 pela Ninja Tune o álbum “Bricolage”, que trazia um som mais sombrio e com batidas quebradas. Misturando o jazz com batidas de drum n’ bass e samba, Amon Tobin criou canções nervosas como “Chomp Samba” e “Yasawas”. No ano seguinte, lança “Permutation”, um álbum que dá sequência às criações musicais de “Bricolage”. Mais experimental e com fortes influências de músicas de trilha sonora, o álbum afirma o som único de Amon Tobin.

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Com a chegada do novo milênio, o DJ trancou-se em estúdio para gravar um álbum que refletisse o clima de tensão que havia na época. Com o título de “Supermodified”, o disco leva o som do DJ mais adiante, criando uma verdadeira trilha sonora para um período conturbado. Música ambiente para acompanhar o caos. Em 2002, foi morar em Montreal, cidade da sua gravadora Ninja Tune e trancou-se em estúdio para gravar as músicas de “Out From Out Where”. O álbum é mais acessível que os anteriores, o que não significa que ele seja menos estranho ou mais colorido. O destaque fica para “Verbal”, uma música com ritmo mais dançável do que usualmente se espera do DJ. Além de samples de outras músicas, o Amon Tobin constrói as músicas com sons que ele mesmo grava, desde motos até barulhos de construção. O som é processado no computador e, muitas vezes, fica irreconhecível.

Em 2004, grava um CD ao vivo chamado “Solid Steel presents Amon Tobin: Recorded Live” onde o DJ mostra suas diversas influências em um set que inclui Dizzie Rascal, AFX e Velvet Undergorund. No mesmo ano, é convidado para fazer a trilha sonora de um jogo para PC chamado Splinter Cell 3: Chaos Theory. Amon Tobin surpreende com uma trilha que inclui arranjos de cordas e solos de um tecladão Hammond misturados aos climas tensos que ele sabe fazer como poucos. Vendo que aquelas canções são muito mais do que uma simples trilha de fundo, a gravadora lança um álbum que inclui músicas como “The Lighthouse” e “El Cargo”. Um novo álbum está prometido para março de 2007, e uma música nova, “Bloodstone” já pode ser escutada no site da gravadora. Vai lá que vale a pena: http://www.ninjatune.net

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