Esquecendo…

esquecendo

por Clarice Casado

Apavoram-me, às vezes, os mecanismos de funcionamento da minha mente. Não entendo absolutamente nada, nadinha desse assunto. Só entendo uma coisa, e entendo-a muito, mas muito bem: sou naturalmente esquecida. Sou daquelas esquecidas contumazes, sabem? Daquelas que parecem que têm sempre a cabeça na lua (aliás, que ótimo lugar para se estar com a cabeça, em muitas situações da vida…).

Mas o estranho é que não esqueço de coisas importantes. Não. Sei bem todos os meus compromissos, sejam de trabalho ou domésticos. Esqueço das pequenas coisas, uma chave, uma bolsa, um papel sem muita importância. Mas pequenos esquecimentos que podem alterar o curso do seu dia. Está bem, vocês, caros leitores, devem estar pensando, ih, mas todo mundo se esquece dessas pequenas coisas, uma vez ou outra. Mas eu esqueço sempre!

“Você só não esquece a cabeça, porque está grudada no corpo”. Você já ouviu isso milhões de vezes, é um ditado popular, e, se for bem analisado, é bastante irritante. Eu considero-o muito irritante. Mesmo porque, sinceramente, eu me esqueço da minha cabeça diversas vezes, em diversas situações. Eu contrario o ditado! Canso de esquecê-la em casa, descansando, quando tenho de ir a um lugar que não estava com vontade de ir, por exemplo. Esqueço-a também sempre que meu dentista (coitado, ele se esforça) resolve explicar-me métodos ultra super modernos de escovação, etc, etc…

Acabo de chegar à conclusão que esquecemos as coisas de propósito. É! É isto Esquecemos quando queremos, mesmo que inconscientemente. Nossa mente arquiteta um plano infalível para que esqueçamos coisas que, em realidade, não estávamos com a menor vontade de fazer. Por exemplo, se você chegou na garagem do seu prédio e esqueceu a chave do carro, era porque, em realidade, não queria sair naquele dia… Se esqueceu a carteira, era porque, no fundinho da alma, não estava nem um pouco a fim de pagar contas…! Ora, vai me dizer que minha teoria não é excelente? Eu achei fantástica. Bem, ao menos, agora posso sentir-me um pouco menos culpada pelos meus esquecimentos, afinal, foi minha mente quem quis, e não eu…

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