Discussões esportivas

discussoesesportivas

por Clarice Casado

Ok, eu confesso. Detesto futebol. Ora, o que posso fazer, juro que já tentei entender o esporte do bando de caras coxudos correndo atrás de uma bola, mas, o que posso fazer, eu não gosto! Não me atrai, não me prende a atenção. Respeito imensamente quem gosta, acho admirável aquela garra de torcida, aqueles gritos esganiçados das pessoas frente ao campo verde (olha, do campo eu gosto, acho aquilo de uma beleza fora do comum, ao menos quando visto de longe!).

Já fui até jogadora de futebol de botão! Confesso, de novo! Devia ter uns dezenove anos, aprendi todas as regras e jogava com um bando de moleques liderados por meu padrinho de batismo, um (ex) aficionado pelo esporte. E eu era boa na coisa! Cheguei até a tirar quarto lugar em um campeonato, certa vez (e juro de pés juntos que não havia só cinco participantes!). Porém, aposentei-me, pelo amor de Deus, descobri que era melhor namorar, ler e ir ao cinema e ao shopping, com aquela idade!

Passado um tempo, desenvolvi uma teoria: as pessoas transformam-se vendo jogos de futebol. As mais recatadas mocinhas podem virar uns demônios cuspindo fogo na frente da tela! Tenho uns primos que simplesmente perdem as estribeiras, são tomados de uma fúria selvagem, são capazes de matar…! Recado: nunca firme um compromisso sério (namoro, morar juntos, casamento) com alguém sem antes observá-lo assistindo a uma partida de futebol. Grandes surpresas podem ocorrer…! Você só conhecerá verdadeiramente o seu parceiro após esse “mágico” momento!

Quer outra dica? Experimente checar se ele ou ela, além de se esbaforir e gritar na frente da telinha com gramadão verde e homens coxudos, vai depois, logo mais à noite, assistir as mais variadas e loucas e gritonas discussões a respeito das partidas, um negócio insano que eu nem sei que nome eles dão, onde um bando de homens (de novo!) e também, em alguns programas, uma moça absolutamente maravilhosa e perfeita (que sorri o tempo todo, e é indubitavelmente um colírio em meio àquele bando de trogloditas) ficam em um semicírculo, ou em uma mesa enorme, e começam a discutir por que cargas d’água o fulano chutou para a direita e não para a esquerda, e por que o técnico tal é um imbecil ou não, e se a chuva atrapalhou ou não o jogo, isso quando não tem um jogador convidado, que dá um discurso no mais refinado e bom português, explicando que “a gente fizemos o que pudemos, e o professor achou que foi bom”. Socooooorroooo!!! Alguém me salve!!! Me tira daqui!!!

Sim, tenho vontade de gritar! Bem alto! Com a televisão, com os inflamados participantes do programa, com o meu marido que está assistindo, e tentando fazer comentários comigo, indignado com a discussão, enquanto eu tento, desesperadamente, ler o último livro de crônicas da Martha Medeiros ou do Rubem Alves (que, aliás, admite admirar a arte da bola, porém sem entender bulhufas dela!). Eu acabo retirando-me do recinto, para não causar tensões, afinal, vivemos em uma democracia, se o cara quer ver a discussão futebolística, que veja, ora bolas! E se a mulherzinha intelectual quer ler, vá ler em outro lugar, poxa vida! E estamos conversados.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s